Vinho: um produto que propicia experiência

Talvez a bebida seja o único bem material capaz de exercer tal fascínio

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Vista do Wine Garden, da Miolo, no Vale dos Vinhedos

Incentivar financeiramente a equipe comercial pode ser prejudicial para as empresas. Esta é uma das teses defendidas por Luiz Gaziri, professor da PUC-PR e da FAE Business School, que acaba de lançar A Incrível Ciência das Vendas. Na visão dele, comissões geram piores resultados em vendas. O raciocínio do livro – que resenhei para a próxima edição impressa de AMANHÃ que circulará a partir de meados de dezembro – é baseado em centenas de estudos. Eles comprovam que para as tarefas em que a criatividade é fundamental, como é o caso de vendas, os bônus levam à piores resultados. O professor paranaense declara, ainda, que quando o profissional recebe um incentivo financeiro, o funcionário se concentra apenas no ganho e diminui o foco em realizar bem o trabalho. 

Mas oferecer uma remuneração gorda não significa que isso deve ser um único incentivo. Na visão de Gaziri, nada impede que a companhia ofereça outras benesses. E elas não precisam ser, necessariamente, em dinheiro ou bens materiais. O melhor é propiciar experiências. E não precisa ser algo caro. Funciona, por exemplo, dar um dia de folga. Gaziri recorda a ligação que recebeu de um ex-funcionário que o agradeceu por tudo que aprendeu e, de quebra, afirmou que a melhor experiência de sua vida tinha sido a refeição feita no restaurante sendo convidado por Gaziri. "O local não era sofisticado", recorda o autor, "mas apesar de famoso, servia frango, polenta e outros pratos italianos simples. Muitas vezes, um dia de folga, um treinamento ou até mesmo algumas polentas podem gerar uma motivação que vai além do que imaginamos", aconselha. 

A tese de Gaziri reforça a minha - direcionada ao mundo dos vinhos. Como sabemos, não há bebida igual em todo o planeta que propicie tamanhas experiências. Não sem razão existe aquele conhecido ditado que sugere que tomemos vinho para refletir (e água para decidir). Por essa lógica, essa bebida talvez seja o único bem material capaz de produzir em nós as mais belas e profundas experiências – sensoriais, inclusive.

Quem não foi levado ao paraíso depois de brindar e tomar uma taça de champanhe ao comemorar um ciclo de namoro (a cena em questão foi, logicamente, seguida de um demorado beijo)? Ou agradeceu de joelhos o dom da vida depois de se fatigar do mais puro chocolate harmonizado com Banyuls? Ou, ainda, sentir a leveza de alma ao se alimentar de ostras frescas com Chablis ouvindo o som das ondas em Matinhos (PR), Canasvieiras (SC) ou Torres (RS)? E, convenhamos, pode ser uma das experiências mais baratas diante de tamanha crise econômica. Como o baratíssimo Gewürztraminer, da Almadén, de Santana do Livramento. Não passa de aproximadamente R$ 19 nos supermercados em geral – e o presenteado nem precisará fazer força para abrir, pois a garrafa tem tampa de rosca.


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