SindiTabaco avalia a COP7 como satisfatória

Pontos que poderiam afetar a produção de fumo não evoluíram

Da Redação

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SindiTabaco avalia a COP7 como satisfatória

A comitiva brasileira que foi à Índia representar os interesses da cadeia produtiva, impedida de participar da 7ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT),  retornou no início desta semana ao Brasil. Segundo Iro Schünke, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), postos de lado os pontos negativos, o resultado da COP7 foi satisfatório.  "Apesar do radicalismo visível com o impedimento de acesso e com as declarações da chefe do Secretariado da Convenção-Quadro, o resultado foi satisfatório considerando que os principais pontos que poderiam afetar a produção e a comercialização de tabaco não evoluíram", avalia Schünke, mencionando o grande ataque de Vera Costa e Silva à indústria nesta edição da COP.

"Há uma contradição nas afirmações dela. Ao invés de se preocupar com questões de saúde, fica nítida a preocupação de bater na indústria organizada, legal, que gera impostos e empregos", reitera Schünke. O executivo também avalia como ponto negativo a grande interferência das ONGs na delegação brasileira, por vezes fazendo declarações como se fizessem parte do governo.  "Ficamos surpresos com a composição da delegação brasileira. Vimos muitos representantes de um mesmo ministério (da Saúde) e poucos integrantes de outras relevantes pastas para os temas que vem sendo tratados nesse fórum. Na atual composição, são poucos os que conhecem a realidade da cadeia produtiva", alerta. Sem acesso aos debates, graças à intermediação do embaixador do Brasil na Índia, Tovar da Silva Nunes, a comitiva conseguiu alguns encontros para receber informações, inclusive uma visita à embaixada. 

Sobre os artigos 17 e 18, que versam sobre diversificação da cultura do tabaco, as partes concordaram em ampliar financiamentos para o desenvolvimento de alternativas. Países que não produzem fumo foram incentivados a contribuir com os países produtores nesse sentido. Além disso, países que não plantam tabaco receberam a recomendação de não começar a produzir. Entre os temas que mais preocupavam o setor estava o pedido de intervenção da Organização Mundial da Saúde (OMS) em questões de natureza comercial, tratado atualmente pela Organização Mundial do Comércio (OMC), o que poderia comprometer futuros negócios e embarques, afetando especialmente o Brasil, maior exportador mundial de tabaco desde 1993. O tema foi debatido e não evoluiu porque não houve consenso entre as partes.

A COP8 deve acontecer na Genebra (Suíça), em duas possíveis datas em 2018: de 26 de novembro a 1º de dezembro ou, eventualmente, de 1º a 6 de outubro. 

Tabaco no Brasil
O Brasil é o segundo maior produtor e o líder no ranking mundial de exportações de tabaco em folha. A tradição da produção de tabaco se construiu graças à alta rentabilidade em pequenas áreas. Na safra 2015/16, mais de 144 mil produtores de 574 municípios da região Sul produziram 539 mil toneladas. A receita gerada aos produtores superou os R$ 5,2 bilhões. Em 2015 foram embarcadas 517 mil toneladas do produto, gerando divisas de US$ 2,1 bilhões.



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