O que a eleição de Trump pode significar para o Brasil

O republicano poderá fazer com que empresários estrangeiros posterguem planos de investir no país

Da Redação

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Bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos

De acordo com as primeiras análises feitas após o anúncio da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos (leia mais detalhes aqui), o Brasil pode ter mais a perder do que ganhar. A política externa restritiva e conservadora do candidato republicano poderá ser bastante prejudicial ao país, por exemplo.  Além de limitar o comércio exterior – o que afetaria as exportações brasileiras para os EUA, segundo maior parceiro do Brasil –, Trump poderá atrapalhar o plano do governo Michel Temer de atrair investidores estrangeiros, entre eles norte-americanos.

O mercado financeiro brasileiro e o global trabalhavam com a hipótese de que Hillary sairia vencedora. O resultado inesperado causará instabilidade pelos próximos meses.  Segundo Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec/RJ, um desenrolar com Hillary teria sido melhor para a economia brasileira, uma vez que evitaria um possível cenário de turbulência global que pudesse afetar nosso caminho de recuperação. No sentido contrário, a vitória do adversário republicano traz um cenário de completa instabilidade global. Tanto é verdade que as bolsas europeias abriram em forte queda nesta quarta-feira. No Brasil, o dólar sobe e a bolsa de valores cai. Às 9h50, a moeda norte-americana estava cotado a R$ 3,2450. Às 10h, o dólar era vendido a R$ 3,2380, alta de 2,2%. O Índice de Valores da Bolsa de São Paulo (Ibovespa) caia 3,2% por volta das 10h20, com 62.079,76 pontos.

O presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, afirmou que o Brasil acompanha as movimentações do mercado financeiro após a eleição de Trump para a presidência dos Estados Unidos. "Nós estamos acompanhando os mercados globais e do Brasil e, caso necessário, tomaremos as medidas adequadas", afirmou o presidente do BC. Ele preferiu não comentar o resultado das eleições e seus possíveis desdobramentos para mercados emergentes, como o do Brasil. 

A política econômica defendida por Trump traz ingredientes que podem levar a uma recessão global, pois o republicano dá sinais de que não seguirá as regras da OMC. Outra preocupação, apontada por Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos, é com um eventual retrocesso no diálogo com a China. Ela acredita que isso afetaria negativamente todo o mundo emergente indiretamente, incluindo o Brasil. Zeina, porém, é cética quanto ao discurso protecionista apregoado por Trump. "Apesar de ele ter um discurso que beira a irresponsabilidade, não acredito que isso se traduziria de forma concreta numa agenda econômica. A tendência é ele descer do palanque e ter uma gestão mais responsável", analisa. 

Trump, ao menos em sua retórica na campanha, procurou destruir as ideias de livre comércio e livre mobilidade de fatores (capital e, especialmente, trabalho). Ele se valeu de um fenômeno econômico e demográfico muito significativo nos EUA, que a crise de 2008 agravou: o desemprego ou o emprego com baixa remuneração. Esses fatores têm atingido parte expressiva da antiga classe média, que caracterizava o “americano médio”: sexo masculino, branco, operário ou trabalhador braçal (com qualificação baixa ou então especialização insuficiente ou inadequada ao novo contexto de “tecnologia da informação”). 

“Trump explora o medo de um futuro ainda mais difícil que o presente e culpa o imigrante (especialmente o latino), cujo trabalho é mais barato, pelas dificuldades econômicas sofridas por aquele contingente significativo da população dos EUA, além, é claro, da competição desleal dos produtos da China”, recorda Vladimir Maciel, pesquisador do Centro Mackenzie de Liberdade Econômica. “Assim sendo, ideias como um muro separando o México dos EUA ou a taxação de produtos chineses ou a ruptura dos acordos comerciais ou a inviabilização de outros eram ditas em cada momento da campanha sem qualquer constrangimento”, pontua Maciel. 


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