SC contesta Tesouro Nacional sobre situação fiscal

Gavazzoni conta que Estados já questionam a metodologia desde 2013

Da Redação

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Antonio Gavazzoni contesta Tesouro Nacional sobre situação fiscal de Santa Catarina

O Governo do Estado de Santa Catarina discorda dos critérios estabelecidos pela Secretaria do Tesouro Nacional para classificação da situação fiscal dos Estados. Em relatório divulgado na quinta-feira (20), o órgão atribui à Santa Catarina a nota “C”, que significa situação fiscal muito fraca e risco de crédito muito alto (leia mais detalhes aqui). Na prática, a avaliação impede a obtenção de empréstimos com juros mais baixos quando houver necessidade de aval da União. Por meio da Secretaria de Estado da Fazenda, o Estado vai levar novamente o assunto à discussão no Grupo de Gestores das Finanças Estaduais (Gefin).

“Não faz sentido um dos poucos Estados que mantém o pagamento de seus servidores em dia – sem precisar aumentar impostos – ter sua situação fiscal avaliada como fraca. Somos um dos Estados menos endividados do país”, argumenta o secretário Antonio Gavazzoni (foto). Ele conta que Santa Catarina e outros Estados já questionam a metodologia da STN desde 2013. “Na época, enviamos uma nota técnica com nossos argumentos, mas o Tesouro não abre a questão para diálogo”, afirma Gavazzoni. “Santa Catarina tem um dos menores índices de comprometimento da receita com dívida.  Enquanto o limite previsto em lei é 200% da Receita Corrente Líquida, em Santa Catarina esse percentual é de 45,19%. O índice do Estado caiu consideravelmente na última década. Em 1999, era de 211,16%”, alega o governo estadual em nota. 

O questionamento sobre os critérios da STN continua em pauta nos debates entre os Estados. Na última reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), em setembro, a necessidade de atualização foi discutida, embora sem encaminhamento prático. “Uma das provas de que o Tesouro Nacional precisa rever a metodologia é que não ela não tem coerência com os critérios estabelecidos por agências internacionais de classificação de risco, como Fitch e S&P”, argumenta Wanderlei Pereira das Neves,  diretor de Captação de Recursos e da Dívida Pública , da Secretaria de Estado da Fazenda.

Em abril deste ano, a S&P reafirmou os ratings “BB” na escala global e “brAA” com perspectiva negativa na escala nacional para o Estado de Santa Catarina. Na nota descritiva divulgada pela agência, a S&P afirma que os ratings de Santa Catarina refletem “sua administração financeira satisfatória e seu forte desempenho orçamentário, bem como a carga de endividamento moderada.” A agência também classifica a economia catarinense como “mais forte do que a média nacional” e que as empresas se beneficiam de “infraestrutura pública adequada”.


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Januario Silva

Tais agências de classificação de risco internacionais mencionadas pelo Estado foram as mesmas que ratificaram os títulos podres no mercado americano que despontou com a crise imobiliária de 2009.

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