Copom reduz a Selic para 14% ao ano

A última vez em que a taxa tinha sido reduzida foi em outubro de 2012

Da Redação, com Agência Brasil

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Copom reduz a taxa Selic para 14% ao ano

Pela primeira vez em quatro anos, o Banco Central (BC) baixou os juros básicos da economia. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu hoje (19) a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas financeiros. A última vez em que a taxa tinha sido reduzida foi em outubro de 2012, quando o Copom tinha cortado os juros de 7,5% para 7,25% ao ano. A taxa foi mantida nesse nível, o menor da história, até abril de 2013, mas passou a ser reajustada gradualmente até alcançar 14,25% ao ano em julho do ano passado.

O Copom afirmou que o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere atividade econômica um pouco abaixo do esperado no curto prazo, provavelmente em virtude de oscilações que normalmente ocorrem no atual estágio do ciclo econômico. “A economia segue operando com alto nível de ociosidade. No âmbito externo, as incertezas sobre o crescimento da economia global e, especialmente, sobre a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos persistem. A inflação recente mostrou-se mais favorável que o esperado, em parte em decorrência da reversão da alta de preços de alimentos”, relata o comunicado distribuído depois da reunião. 

“O Comitê entende que a convergência da inflação para a meta para 2017 e 2018 é compatível com uma flexibilização moderada e gradual das condições monetárias. O Comitê avaliará o ritmo e a magnitude da flexibilização monetária ao longo do tempo, de modo a garantir a convergência da inflação para a meta de 4,5%. A magnitude da flexibilização monetária e uma possível intensificação do seu ritmo dependerão de evolução favorável de fatores que permitam maior confiança no alcance das metas para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui os anos-calendário de 2017 e 2018”, enumera, ainda, o documento.  

Repercussão
O anúncio do Copom não surpreendeu a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs). “Em sua última reunião, o Copom alertou que tomaria decisões sobre os juros se verificasse mudanças benignas no cenário fiscal e da inflação. O IPCA dos últimos meses veio mais baixo, as expectativas em relação à taxa de inflação diminuíram, e a Câmara dos Deputados aprovou a PEC 241/2016 em primeiro turno. Por isso, esta decisão não surpreende”, relata a entidade, em nota. “Para a Fiergs, a expectativa agora é a de que o Congresso Nacional aprove a PEC 241 antes da próxima reunião do Banco Central, em 30 de novembro, e que haja celeridade no encaminhamento da Reforma da Previdência, já que as reformas fiscais são necessárias para que o Brasil siga reduzindo a taxa de juros sem comprometer a estabilidade do poder de compra da moeda. Essas medidas são vitais para ajudar a retirar o país da crise e fortalecer a indústria, cuja recessão já dura mais de 29 meses”, finaliza o comunicado.

Até o momento, a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) não se manifestaram sobre o assunto. 



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