Indústria e educação: dois alicerces chineses

Gigante asiático trabalha para levar o desenvolvimento econômico ao interior

Por Milton Pomar

China trabalha para levar o desenvolvimento econômico ao interior

A China passou de 1,5% da manufatura industrial mundial para 15% no período entre 1980 e 2010. Hoje, sua participação na indústria global deve ser de 17% – e é bem possível que chegue a 18% até 2020, pois enquanto muitos países diminuem sua produção, a exemplo do Brasil, na China ela continua aumentando. Segundo a Xinhua, agência estatal de notícias, o governo chinês lançou na segunda-feira (17) um fundo de investimento industrial para ajudar a desenvolver a economia de 14 áreas pobres, nas regiões de fronteira no sul, norte e oeste, com US$ 1,8 bilhão. O valor é bancado por 51 empresas estatais, entre as quais a Companhia Nacional de Desenvolvimento e Investimento (CNDI) e a Companhia Nacional de Eletricidade da China.

O investimento total deverá atingir US$ 14,7 bilhões e será utilizado para desenvolver indústrias nas áreas pobres selecionadas, com populações formadas por minorias étnicas e localizadas em regiões distantes dos grandes centros. Esses recursos permitirão construir parques industriais e urbanizar cidades, interiorizando o desenvolvimento econômico e social e reduzindo as desigualdades que ainda existem entre as regiões rurais e do interior e urbanas e do litoral. 

A opção chinesa pela industrialização do interior segue o padrão do que foi feito no país desde 1980, que permitiu à China tirar da pobreza mais de 600 milhões de pessoas, incorporando-as aos mercados de trabalho. Apesar desse resultado espantoso, ainda há muita pobreza na China. Dos 128 milhões de pessoas oficialmente nessa condição, 70 milhões estariam abaixo do nível de pobreza (renda anual de RMB 2,3 mil, ou US$ 343), de acordo com a Xinhua, levando o governo a fornecer-lhes os serviços sociais essenciais.

Como não basta ofertar trabalho para erradicar a pobreza, o governo chinês continua investindo em educação para propiciar às pessoas pobres das áreas rurais acesso aos estudos. A situação é tão dramática nas regiões distantes que o investimento governamental, de US$ 12,3 bilhões no período, não teria sido apenas em professores e novas escolas. O aporte foi usado também em dormitórios para cerca de 300 mil professores nas áreas rurais mais remotas e em “subsídios de vida” para mais de 1 milhão de professores rurais em 600 distritos mais afetados pela pobreza.

Essa política de investimento em educação, nas regiões centro e oeste do país, teria resultado, segundo dados oficiais divulgados pela Xinhua, no aumento de 30% do número de crianças matriculadas na educação infantil (de 21,5 milhões em 2011 para 27,9 milhões em 2015) E de 10% anualmente no de alunos procedentes das áreas rurais pobres matriculados em universidades. Conclusão inevitável: mantido esse ritmo até 2030, a China será a maior economia do mundo, também pela paridade cambial, com mais de 20% de participação na indústria mundial e população economicamente ativa superior a 1 bilhão de pessoas, das quais mais de 300 milhões com ensino universitário e pelo menos outro tanto com ensino técnico. 


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