Mineiramente, a MRV vai conquistando o sul

Vendas do último ano reforçam aposta da construtora na região

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Mineiramente, a MRV vai conquistando o sul

O ano de 2014 para as incorporadoras de capital aberto no Brasil não foi dos mais positivos. Tanto os lançamentos como as vendas de imóveis caíram mais de 15% na comparação com o ano anterior e as perspectivas para 2015 é que os números sofram nova queda. Na contramão do setor, a MRV Engenharia teve muito a comemorar. A construtora mineira aumentou a receita das vendas em 17,9%, fechando o ano com o faturamento de R$ 6 bilhões. O crescimento veio em parte pelo bom desempenho da região sul, que registrou R$ 760 milhões em vendas de imóveis.

Bem ao jeitinho mineiro, a MRV vai, devagar e discretamente, conquistando espaço no mercado de construção civil da região. De 2013 para 2014, os três estados do sul aumentaram sua participação no faturamento total da construtora, passando de 8% para 11,7%. O avanço foi maior em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, onde a MRV começou a prospectar terrenos no final da primeira década dos anos 2000.

São estes mercados que estão no foco dos planos de expansão da empresa e nos quais pretende multiplicar as praças de atuação. “Não estamos somente nos grandes centros. As cidades de médio porte tem tido uma pujança comercialmente muito boa. Nos dois últimos anos, foi Londrina que mais comercializou unidades no Paraná. Outras como Sapucaia e Caxias, no Rio Grande do Sul, e São José, em Santa Catarina, foram muito bem também”, conta Marcelo Mendes, gestor executivo de vendas da Regional Sul. 

Em um momento em que as grandes construtoras seguram novos lançamentos em razão do desaquecimento das vendas no mercado imobiliário, a MRV mostra ter fôlego para continuar em ascensão. Para este ano, a empresa prevê chegar a R$ 7 bilhões de receita em vendas. Na região sul, são 30 canteiros de obra, o que garante a construção de 10 mil apartamentos nos próximos três anos.

A confiança de crescimento da MRV está baseada principalmente no público-alvo, diz Mendes. A construtora atua no segmento econômico. A maior parcela dos clientes é de pessoas que ganham entre três a seis salários mínimos e que estão em busca do primeiro imóvel. No sul, como em outras regiões, 80% dos projetos da MRV estão ligados ao programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). O programa do governo federal que ajuda as famílias de baixa renda a adquirir um imóvel, facilitando as condições de financiamento junto aos bancos públicos e com menores taxas de juros, tem colaborado para que os clientes da MRV mantenham seu poder de compra.

Mendes admite que o programa federal colaborou para que a companhia mineira entrasse nos mercados gaúcho e catarinense - até porque a MRV atua sem grandes concorrentes nacionais que atendam este segmento. Mas descarta a dependência do sucesso do MCMV para os futuros resultados da construtora. Mesmo que as medidas de contenção de gastos do governo federal e de concessão de crédito atinjam o programa, Mendes acredita que a demanda por casas de custo médio de R$ 150.000 vai continuar superarando a oferta. “A gente sempre trabalhou dentro desta faixa econômica. O recurso do FGTS já tem um destino prévio para atender a compra de moradia. Então, se houver ajustes no programa, não chegarão a provocar uma mudança estratégica da MRV. No máximo, o que pode acontecer é a adequação de alguns projetos”, minimiza.

A MRV não divulga números regionais para este ano, mas a previsão é de que a região sul não tenha o mesmo crescimento expressivo em lançamentos e vendas de 2014, quando a companhia estreou em três municípios. “É um ano de maturação e continuação das vendas dos lançamentos que já ocorreram”, comenta Mendes. No entanto, a construtora mantém o investimento na expansão nos três estados. O banco de terrenos da construtora no sul é de R$ 2,5 bilhões, 10% do total nacional – o que corresponde a construção de mais de 20 mil unidades nos próximos anos.


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