Inovar em tempos de crise é uma necessidade

Ato é positivo para a economia, afirma o coordenador de Inovação da Fiep

Por Rodrigo Martins*

Recentemente o Brasil presenciou grandes mudanças na sua estrutura política. É grande a expectativa sobre os novos líderes dos três poderes por soluções e reformas estruturais que promovam a competitividade das empresas brasileiras e que induzam o crescimento econômico e social do país. Medidas que instituam segurança jurídica, estabilidade política e econômica – assim como acesso aos mercados internacionais e que promovam justiça social.  A percepção é que a crise atual intensificou a situação negativa do país, mas alguns dos principais problemas de ordem estrutural, nocivos à competitividade brasileira, não se resolverão da noite para o dia.  

Em paralelo às necessárias reformas demandadas ao governo, é imperativo que as empresas ganhem eficiência, reduzam seus custos e melhorem seus produtos, diferenciando-se e também abrindo novos mercados. As estratégias de negócios, a flexibilidade das suas plantas fabris, a agilidade da logística, os ganhos de produtividade, enfim, são ações que geram valor mesmo neste cenário adverso. Isto significa inovar em todas as dimensões possíveis.

Segundo o Global Innovation Report (GRI) – ranking Internacional de inovação da Johnson Cornell University, em conjunto com a INSEAD e a WIPO world Intelectual – o Brasil ocupou em 2015 a 70ª posição, dentre 141 países pesquisados. Seu índice geral foi de 34,95, ficando atrás de Chile (42º), México (57º) e Uruguai (68º). Considerando os indicadores parciais, eis as respectivas colocações ocupadas pelo Brasil: Instituições (80º); Capital Humano e Pesquisas (63º), Infraestrutura (67º); Sofisticação de Mercado (87º); Sofisticação de Negócios (37º); Resultados de conhecimento e tecnologia (72º); e Resultado da Criatividade (82º). Suíça, Reino Unido, Suécia, Holanda, Estados Unidos, Finlândia, Singapura, Irlanda, Luxemburgo e Dinamarca são os 10 primeiros colocados no GRI. 

Ao analisar outro ranking, o Relatório Global de Competitividade, do Instituto Internacional de Gestão (IMD), em parceria no Brasil com a Fundação Dom Cabral, percebe-se que o país tombou pela 6ª vez seguida, ocupando a posição 57 entre 61 nações. Tal colocação em muito está relacionada à perda de pontuações em categorias como economia doméstica, emprego, finanças públicas, política fiscal, investimentos e produtividade, sendo que nesse quesito ficou em penúltimo lugar.

Ainda tratando-se de rankings, o Brasil desabou para a 9ª economia do mundo em 2015. O PIB brasileiro caiu 24,6 % em relação a 2014, considerando a conversão em dólares norte-americanos. Quando relacionados tais indicadores, verifica-se que os países mais inovadores, aqueles que investem em educação, ciência e tecnologia como estratégia de competição são, de longe, os mais competitivos. No Brasil, por outro lado, o que se vê é uma forte retração na capacidade de inovar, tanto do governo quanto dos empresários. Essa tendência precisa ser alterada urgentemente.

Os investimentos, tanto públicos como privados, em educação, ciência, tecnologia, P&D, sofisticação de mercados, ambiente de negócios e regulação (o Marco Regulatório da C,T&I - LEI 13.243/16, por exemplo) tendem a gerar um impacto mais do que proporcional na economia a médio e longo prazos. Mas é fundamental que se tenha um plano, uma estratégia que oriente tais aportes de forma viável e efetiva. Se os recursos são escassos, é necessário saber onde e como investir. 

Inovar em tempos de crise não é apenas uma alternativa, mas sim, uma necessidade. Uma decisão estratégica das empresas e do país. O que se espera do poder público brasileiro é que aja de forma coordenada e planejada para construir um ambiente estável e competitivo, destravando e estimulando a atividade produtiva para que as empresas também possam voltar a investir e competir com maior efetividade, possibilitando um salto de crescimento para o país e para a sociedade como um todo.

Em resumo, trata-se da possibilidade de resgatar vários daqueles quesitos nos quais o Brasil perde posições a cada ano e retomar, de fato, o desenvolvimento ao deixar as empresas trabalharem, criando postos de trabalho e movimentando novamente a economia brasileira. Afinal, não existe melhor programa social do que a geração de emprego e renda.

*Empresário, coordenador do Conselho de Política Industrial, Inovação e Design e diretor da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). 


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