Susana Kakuta tentará reverter decisão do BNDES

Badesul perdeu a condição de agente da instituição federal

Da Redação

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O Banco de Fomento do Rio Grande do Sul (Badesul) foi descredenciado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, o BNDES. A medida, já comunicada extraoficialmente pela entidade federal, se deve ao fato de que o banco de fomento gaúcho teve sua nota de crédito rebaixada a zero. A informação foi confirmada na manhã de sábado (17). Com isso, o Badesul perde 95% de sua capacidade de operar novos créditos.

Segundo Susana Kakuta (foto), presidente da entidade, dois motivos principais levaram o Badesul à atual queda de rating. O primeiro deles seria o fato de que o banco passou a operar, ainda na gestão anterior, grandes volumes de empréstimo para poucas empresas, entre as quais algumas que enfrentam problemas financeiros profundos e não pagaram seus débitos, como a Iesa e a WinPower. Juntas, levaram o Badesul a perder cerca de R$ 100 milhões. Outro fator seria a crise que atinge a economia brasileira, o que elevou a inadimplência. Susana garante que, desde o início de sua gestão, tem tomado medidas de contingenciamento para permitir a reestruturação financeira no banco. Susana esclarece, ainda, que, apesar do rebaixamento da nota de crédito, o Badesul não está inadimplente tecnicamente ou financeiramente. O plano de contingência do Badesul vem sendo colocado em prática desde o ano passado, quando já se identificavam os problemas financeiros do banco (leia mais detalhes aqui).  Susana afirmou que irá ao Rio de Janeiro nesta semana para uma reunião com a diretoria do BNDES. Ela acredita no sucesso da iniciativa, especialmente porque há um cenário de adimplência junto ao BNDES. “Não devemos um centavo. Acredito no sucesso frente ao perfil de relacionamento que o Badesul tem junto ao BNDES e a total adimplência junto a instituição”, declarou em entrevista concedida para a Rádio Gaúcha. 

O governo estadual também publicou nota oficial comentando o fato. “O Governo do Estado e o Badesul foram surpreendidos nesta semana com o anúncio de cortes nos limites para novas operações junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seu principal parceiro comercial. A informação estaria baseada em análise técnica do órgão e em razão das dificuldades financeiras enfrentadas pelo Controlador (Estado). Auditorias realizadas pelo Banco Central e pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre as contas da administração anterior, no primeiro semestre de 2015, indicavam fragilidade e uma potencial depreciação sobre os ativos do Badesul. Ao se deparar com uma situação financeira frágil, evidenciada em balanços semestrais e anual, e pela queda significativa dos indicadores institucionais, a atual direção adotou desde 2015 medidas para melhorar o resultado do órgão de fomento”, relata a nota. “Entre elas estão enxugamento de despesas, corte de investimentos e programa de demissão estimulada. Por outro lado, intensificaram-se as ações de cobrança, buscando melhorias na receita do banco. Mas o momento econômico é difícil, e a retomada do crescimento não tem sido na velocidade desejada. O relacionamento com o BNDES vem desde 1975. Ao longo de sua história já investiu quase R$ 4 bilhões, financiando a indústria, o comércio, o agronegócio e o setor público. O Badesul, durante toda sua história, sempre cumpriu integralmente com suas obrigações técnicas e financeiras junto ao BNDES. Ou seja, encontra-se 100% adimplente. O Governo do Estado e o Badesul estão fazendo um grande esforço para a retomada dos limites operacionais. Para isso trata de contrapor a decisão, baseando-se nas ações implementadas desde o início da atual administração e que já demonstram eficácia na recuperação da Instituição. O Badesul reitera seu compromisso com o desenvolvimento do Rio Grande e busca tranquilizar a comunidade empresarial a respeito dessa situação, enfrentada com transparência e trabalho técnico”, finaliza o esclarecimento. 

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