S&P enumera os desafios do Brasil depois do impeachment

Para agência, investimento privado é vital para a recuperação econômica

Da Redação

redacao@amanha.com.br

A S&P Global Ratings publicou um documento onde aborda as perguntas mais frequentes sobre as perspectivas de política e economia na fase pós-impeachment e seu possível impacto nos ratings do Brasil. A agência de classificação de risco recorda que rebaixou o rating do país em 17 de fevereiro, pois o perfil de crédito do Brasil continuava a se enfraquecer diante de consideráveis desafios políticos e econômicos. 

“O processo de impeachment iniciado em dezembro de 2015 fez parte do cenário político complexo e desafiador do país. Em nossa visão, tal processo impediu uma ação coordenada e célere tanto do governo Dilma quanto do governo interino de Temer para aprovar as medidas necessárias para reverter a deterioração fiscal e tirar a economia de sua profunda recessão”, afirma o comunicado assinado por Lisa Schineller. “O governo interino de Temer adotou uma postura bastante cautelosa para apresentar propostas de medidas fiscais restringentes em meio a sensibilidades políticas enquanto o processo de impeachment avançava. O maior grau de incertezas e a natureza fluida da dinâmica política nos últimos anos também refletiram as investigações de corrupção em curso, que envolveram vários políticos, incluindo aqueles do governo interino”, revela a S&P. 

“O impeachment – e as investigações de corrupção – atrasaram a tomada de decisão política, o que afetou a economia brasileira, prejudicando o sentimento do setor privado e limitando os investimentos. Após a conclusão do processo de impeachment, as incertezas políticas diminuíram, mas não foram eliminadas. Agora, o governo de Temer terá de detalhar de forma mais eficiente e fazer avançar suas prioridades políticas, enquanto atua em conjunto com o Congresso nos próximos meses”, alerta a agência. 

Para a S&P, a economia deve contrair significativamente este ano. O PIB deve sofrer uma queda de 3,6% após um declínio de 3,8% em 2015. “A confiança dos empresários melhorou, mas espera-se uma recuperação econômica lenta, com um crescimento de cerca de 1% e 2% em 2017 e 2018, respectivamente”, aposta a S&P. “Nem os consumidores nem o governo pode liderar o crescimento, como eles têm no passado – inclusive em 2009. As exportações são uma pequena percentagem do PIB, cerca de 13%, e não esperamos uma recuperação significativa nos preços das commodities. Assim, o investimento privado é a chave para uma reviravolta, com excesso de capacidade, após dois anos de contração econômica. Os planos da administração para projetos de infraestrutura, concessões e abrir o setor de petróleo são importantes para melhorar as expectativas e gerar investimento privado. Esperamos que este processo seja lento e aguardamos mais detalhes sobre as concessões a serem anunciados em setembro”, destaca a S&P. 

Clique aqui para acessar o documento na íntegra, em inglês


leia também

Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida - Ex-presidente afirmou que recorrerá contra o que chamou de “fraude”

A China fez o que o mercado queria - Corte de juros era algo esperado, mas ainda não é suficiente para ajudar na recuperação econômica, afirmam especialistas

A estabilidade do funcionalismo público é mesmo necessária? - O tema é particularmente importante no contexto de ajuste fiscal, avalia Zeina Latif

A JBS sai das cordas - Se está patente que o Brasil tende a soçobrar numa turbulência amarga, os irmãos Batista deverão sobreviver bastante bem

A punição virá das gôndolas? - A tentativa de boicote às marcas do Grupo J&F

A responsabilidade do Congresso - O cuidado com os recursos públicos e o respeito à restrição orçamentária deveriam ser valores da casa, opina Zeina Latif

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: