A mudança no comportamento do eleitor está por vir

Candice Pascoal explica os efeitos do crowfunding na política brasileira

Por Candice Pascoal*

O ano de 2016 promete ser um dos períodos mais agitados da política nacional. Muito se fala em instabilidade, futuro e a insegurança que todo esse contexto traz para o país. Porém há um momento de reflexão, e até comemoração, em todo esse cenário. Essa será a primeira vez que candidatos a algum cargo político não poderão usar nenhum tipo de doação empresarial em suas campanhas. Segundo decisão do STF, a partir deste ano, todos os candidatos poderão usar apenas doações vindas de pessoas físicas – ou seja, seus eleitores.

Atualmente, o debate gira em torno de como esses candidatos conseguirão a verba para financiar a candidatura. Inclusive na possibilidade, ou não, dos políticos usarem plataformas de financiamento coletivo, para arrecadar esses valores. Isso é já é algo bastante usual em países como Estados Unidos e outros da Europa, que têm no crowdfunding uma das principais fontes de arrecadação para os aspirantes a cargos públicos.

No Brasil, os políticos não poderão usar plataformas de terceiros (sejam elas de crowdfunding ou não) para arrecadação. É preciso criar e ter uma plataforma independente e proprietária (sendo ela inclusive de financiamento coletivo ou não). Independente da ferramenta utilizada ou das decisões já tomadas, esse é um momento único para a política nacional e, principalmente, para a forma como o brasileiro se posiciona perante o tema. A vivência em financiamento coletivo e investimento me faz acreditar que quando uma pessoa investe, doa ou contribui para uma causa, ela se engaja na proposta. O ato de contribuir desperta no ser humano o desejo de presenciar o desenvolvimento e evolução do projeto – e com as campanhas eleitorais não será diferente. A partir do momento que esse brasileiro contribui, o vínculo entre político e eleitor está estabelecido. 

Milhares de pessoas que ajudam projetos se engajam e, mesmo depois que a campanha é encerrada, a relação não termina, pois querem acompanhar a evolução do plano. Em contrapartida, o fato de o político depender monetariamente do eleitor para viabilizar sua campanha eleitoral traz para o candidato uma responsabilidade ainda maior – principalmente para justificar como usou o dinheiro, além de ter a necessidade de criar um vínculo muito mais próximo com o eleitor, que será um parceiro e financiador de suas próximas campanhas eleitorais. 

Acompanho esse movimento em países como os Estados Unidos, onde em sua primeira candidatura, o presidente Barack Obama usou do financiamento coletivo para arrecadar os valores necessários para sua campanha e, principalmente, engajar e fidelizar o eleitor norte-americano a conhecer de perto o trabalho feito por ele. Tanto deu certo, que o político já está no seu segundo mandato e hoje é considerado um dos líderes mais influentes e admirados de todo o mundo.

Como tudo na vida, a doação para campanhas eleitorais também tem suas regras, e o eleitor precisa ficar atento a todas elas. O TSE regulamentou a doação on-line de campanha eleitoral. A partir disso, elas podem ser feitas pela internet e com a utilização de cartão de crédito. Mas, para fazer essa colaboração de forma regular, é preciso seguir algumas regras como, por exemplo, tanto os candidatos quanto os partidos políticos tenham endereços eletrônicos e aplicativos apropriados para esse fim. Outra norma proíbe o parcelamento e doações por cartões emitidos no exterior. É também importante atentar ao quanto é permitido que se gaste para arrecadar (saiba aqui as limitações de cada município). 

*Fundadora e presidente da Kickante, site de financiamento coletivo do Brasil, com unidades em três países.


leia também

BNDES divulga mudanças no Finame para 2016 - Banco financiará 80% do valor do bem para empresas

BNDES financia R$ 37 mi para a Fiat no PR - Fábrica de motores será modernizada

BRDE anuncia investimentos para municípios - Banco financiará R$ 40 mi em obras no RS, além de R$ 95 mi para a Cosuel

BRDE lança programa para ações sustentáveis - O BRDE PCS terá tarifas menores e prazos de empréstimos maiores

BRDE Municípios: uma carga de otimismo para o Sul - Programa que repassará R$ 450 mi dá esperança para prefeitos da região

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: