A destruição criativa da Nokia

A empresa finlandesa pivota mais uma vez

Por André D´Angelo

O post anterior concentrou-se sobre críticas à economia digital e suas potenciais consequências negativas para os negócios e a sociedade (leia aqui). Neste, o espírito é mais positivo.

A velocidade com que marcas têm sido ungidas e destronadas no mundo tecnológico teve a Nokia como sua vítima mais famosa. O que nem todo mundo sabe é que a companhia finlandesa é especialista em mudança, pois, ao longo de sua sesquicentenária história, já trocou de ramo de negócios inúmeras vezes. Basta dizer que a empresa nasceu como celulose e chegou a 2016 investindo em realidade virtual e tecnologias aplicadas à saúde. A mesma empresa que foi atropelada por BlackBerry e Apple não se fez de rogada e parece estar ensaiando sua enésima reinvenção.

Primeiro, mudou-se para o Vale do Silício, o lugar onde as coisas da tecnologia acontecem. Anos atrás, num post, comentei que analistas atentos à então derrocada da companhia em celulares afirmavam que parte da queda devia-se ao seu distanciamento geográfico do centro nevrálgico do universo tech (relembre aqui).  Hoje, gestores permanecem na Finlândia, mas as coisas de fato são feitas na Califórnia. E por lá a empresa investe em novas startups e desenvolve produtos voltados à saúde e à realidade virtual. 

A Nokia, em suma, está pivotando mais uma vez.

O que isso quer dizer? Mudar de mercado, principalmente. Desapegar-se de ativos que consagraram a empresa no passado e promover a transição para novos negócios nos quais o expertise e os recursos econômicos e tecnológicos detidos pela companhia mostrem-se úteis para gerar crescimento e liderança. A Nokia vendeu sua divisão de celulares para a Microsoft e foi cuidar da própria vida, disposta a não entrar nos anais do management pela porta dos fundos, como cita essa matéria.

Há um outro fenômeno positivo transcorrendo nas principais economias do mundo e, em menor escala, no Brasil. Tendo a internet como canal de vendas e de propaganda e a possibilidade de terceirizar a produção para algum país de mão de obra barata, tornou-se mais fácil criar negócios que desafiem grandes companhias já bem estabelecidas. E isso, em todos os setores de bens de consumo final, praticamente. Matéria da The Economist mostra que a tendência vai dos EUA à Índia, causando embaraços para gigantes como P&G, Unilever e Mondelez. 

Mesmo que algumas dessas novatas acabem adquiridas por players maiores, cumprem o inestimável papel de movimentar a economia e forçar a melhoria de produtos e a queda de preços, fazendo jus à máxima da “destruição criativa” que sintetiza o capitalismo. A mesma destruição criativa que a Nokia tem empreendido há 150 anos, pivotando de um negócio ao outro tão logo a mudança se mostre necessária. 


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