Protestos contra terceirização param o país

Centrais temem demissões. Empresas esperam ter maior segurança jurídica

Da Redação

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Protestos contra terceirização param o país

Protestos contra o projeto de lei de terceirização (PL 4330) aconteceram nesta quarta-feira (15) em ao menos 23 Estados e no Distrito Federal. Na terça, o impasse no Congresso havia adiado para esta quarta a votação do projeto de lei que flexibiliza as leis trabalhistas e amplia a terceirização. A grande polêmica envolve a proposta de proibir a terceirização em atividades-fim da empresa. No início da noite, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, retomou a sessão e anunciou um acordo de procedimentos para transferir a votação para a próxima quarta-feira (22). Cunha afirmou ainda que o acordo prevê o compromisso de vários partidos de votarem contra qualquer requerimento de retirada do tema e sem obstrução de qualquer outra matéria que possa trancar a pauta nesse intervalo.

As manifestações são organizadas por sindicatos filiados à Central Única de Trabalhadores (CUT) e a outras entidades sindicais. Os atos ocorrem em estradas, avenidas, fábricas e portos. As centrais e movimentos populares entendem que, com a aprovação, o trabalhador contratado diretamente por uma empresa poderá ser demitido para que um terceirizado ocupe essa vaga. Já as entidades empresariais e defensores do projeto opinam que haverá mais segurança jurídica para as empresas contratarem e maior proteção social aos terceirizados. Entidades como CTB, Conlutas, Nova Central e Intersindical – além da CUT– são contrárias ao projeto.

No Paraná, trabalhadores ligados ao Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba paralisaram trechos de rodovias em protesto contra a lei da terceirização (foto). Segundo estimativas da Polícia Militar, cerca de mil trabalhadores participam do protesto. Em seguida, os manifestantes seguiram até a Boca Maldita. No Paraná, a manifestação é uma aliança entre CUT, União Geral dos Trabalhadores (UGT) e Força Sindical. Segundo a presidente da CUT Paraná e uma das líderes do movimento, Regina Cruz, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, os protestos são uma forma de chamar a atenção dos trabalhadores para os efeitos da lei da terceirização. “Não queremos ninguém terceirizado. É menos salário e mais rotatividade. Além disso, o FGTS não é repassado pelas empresas. Isso já afeta algumas categorias e não queremos que se estenda às demais”, disse ela. Pela manhã, trabalhadores fizeram protestos em frente às fábricas da Renault, WHB, Volvo, Bosch, Volkswagen e Case New Holland (CNH).

Na capital catarinense, funcionários da Comcap, transporte público da Grande Florianópolis, professores e servidores do Judiciário participaram de ato promovido pela CUT/SC em frente ao largo da Catedral Metropolitana. Cerca de 50 pessoas, lideradas pelo Sindicato dos Servidores Públicos de Joinville (Sinsej), participaram de um ato na Praça da Bandeira, no Centro de Joinville, contra a aprovação do projeto. O transporte coletivo em Blumenau foi totalmente paralisado entre 15h e 17h. Dezenas de pessoas ligadas ao Sindicato dos Bancários da cidade se concentraram no centro.

No Rio Grande do Sul, trens que ligam Porto Alegre a cidades da região metropolitana não funcionaram. Também na capital gaúcha, houve paralisação parcial dos ônibus urbanos, que foram impedidos de sair de uma das garagens. De acordo com o diretório da CUT no Estado, categorias como a dos bancários, professores e metalúrgicos também organizaram na capital e em cidades do interior paralisações e atividades, como assembleias em portas de fábrica. Canoas, Pelotas e Santa Maria tiveram agendas de mobilização ao longo do dia. De acordo com a Federação Nacional dos Portuários, os trabalhadores dos portos de Santos, Rio, Vitória, Salvador, Recife, Rio Grande e Belém decidiram que devem fazer operação padrão e atos públicos em frente às empresas portuárias para marcar o dia de protesto.


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