Sul ameniza queda da atividade econômica brasileira

Agricultura ajudou a conter a retração da economia entre março e maio

Da Redação, com Agência Brasil

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Acomodação da retração – é assim que o Banco Central (BC) define a atividade econômica da região Sul no primeiro trimestre deste ano em seu relatório divulgado nesta sexta-feira (5) em Curitiba. O Índice de Atividade Econômica do BC do Paraná e do Rio Grande do Sul [os dados de Santa Catarina não são contabilizados] cresceu 1,6% entre os meses de março a maio na comparação com o trimestre encerrado em fevereiro. 

O resultado foi favorecido pela concentração de colheitas agrícolas, principalmente de soja e trigo. Na indústria, o aumento da produção foi discreto (0,1%) enquanto as atividades no comércio e em serviços recuaram. As vendas caíram 0,8%, destacando-se as reduções no comércio de equipamentos de informática e comunicação e material de construção e as leves altas nos segmentos veículos e móveis e eletrodomésticos. Já o volume de serviços diminuiu 2,7%. Considerado o intervalo de doze meses, no entanto, o indicador de atividade econômica na região contraiu 4,7%. 

Na análise do Banco Central, a economia do Sul nos próximos trimestres segue condicionada às perspectivas de melhora da confiança dos agentes dos setores varejista e industrial. A instituição ainda ressalta que o bom desempenho das exportações (a balança comercial do Sul foi superavitária em US$ 5,7 bilhões no primeiro semestre de 2016) e da produção agrícola podem contribuir para um maior “dinamismo da economia na região”.

Desempenho nacional
Os indicadores do Sul colaboraram para amenizar a queda que o Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Brasil (IBC-Br) no trimestre encerrado em maio na relação com o mesmo período anterior. Segundo o BC, essa retração foi “significativamente inferior” à registrada em trimestres anteriores, considerados dados dessazonalizados (ajustados para o período).

A trajetória recessiva da economia brasileira a partir de 2014 mostrou relativa moderação no trimestre encerrado em maio deste ano, na avaliação do BC. Para a instituição, a moderação é resultado de melhora da confiança de empresários e consumidores, favorecida pelos efeitos positivos do ajustes na economia feitos pelo governo e pela menor influência de eventos não econômicos, recorrentes nos últimos dois anos. O BC usa a expressão “eventos não econômicos” para se referir a efeitos da Operação Lava Jato, por exemplo.

No trimestre encerrado em fevereiro deste ano, a retração era de 1,4%. Em novembro de 2015, a queda era de 1,5% e em agosto do ano passado de 2,2%. “Esta melhora repercutiu, em especial, na evolução dos indicadores do Sul, favorecida pela concentração da colheita de grãos; do Norte, beneficiada pela trajetória da indústria e da pecuária; e do Sudeste, repercutindo a recuperação da indústria, após longo período de retração”, relata o boletim. “No Nordeste, embora a variação do indicador de atividade permanecesse negativa, mostrou significativa moderação em relação ao período anterior, enquanto a deterioração registrada no Centro-Oeste foi condicionada pela quebra da safra grãos”, acrescenta o BC.

O Banco Central destacou, ainda, que há “desdobramentos positivos” do maior dinamismo do setor externo e da melhora nos índices de confiança sobre o desempenho da indústria. Por outro lado, revela o BC, os indicadores do setor de comércio e de serviços repercutem o ajuste mais lento nos mercados de trabalho e de crédito.


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