O navio quer a carga do caminhão

Aliança Navegação investe em frota para absorver aumento da demanda

Por Laura D’Angelo, de Rio Grande (RS)

laura.cauduro@amanha.com.br

O navio quer a carga do caminhão

Uma forte aposta no serviço de cabotagem no Brasil. É assim que a Aliança Navegação, pertencente ao grupo Oetker, também proprietário da Hamburg Sud, define o investimento de R$ 700 milhões realizado nos dois últimos anos na renovação de sua frota de navios de carga. Seis novos navios foram lançados ao mar - entre eles o Bartolomeu Dias, batizado nesta terça-feira (14) em evento no Porto de Rio Grande (RS). Com capacidade para 4.800 contêineres, a embarcação, em operação desde outubro passado, é a maior já colocada pela Aliança em águas brasileiras.

O investimento da Aliança em cabotagem, que consiste no transporte de carga entre um porto e outro dentro do país, é uma resposta à crescente demanda das empresas por este modal nos últimos anos. “Os clientes estão buscando caminhos mais econômicos para escoar produtos. Até quem não utiliza o serviço, quer experimentar, por causa dos menores custos em relação ao transporte feito por rodovias”, comenta Julian Thomas (na foto, de gravata borboleta), diretor superintendente da Aliança Navegação, que estima uma expansão de cerca de 10% da cabotagem em 2015. No ano passado, o modal transportou pela costa brasileira aproximadamente 550 mil TEUs (unidade de medida que corresponde a um contêiner de aproximadamente 6 metros). A Aliança foi responsável pela metade deste volume.

Segundo Thomas, a crise econômica motiva os clientes a rever a cadeia logística. O transporte de cargas por embarcações pode representar uma economia de até 15% dos custos na comparação com o rodoviário. “Os nossos clientes atuais estão trazendo mais volume para ser transportado”, confirma Gustavo Costa, gerente de cabotagem da Aliança. O desafio da Aliança agora é atrair as pequenas e médias empresas. Apesar de a cabotagem ser tradicionalmente relacionada ao transporte de arroz, pela proximidade das plantações com os portos, Thomas destaca que qualquer produto pode ser carregado por navios. Por questões de custos, o executivo ressalta, no entanto, que o modal vale mais a pena para aquelas mercadorias que são produzidas a  120 quilômetros de um porto e possuem um destino a mais de 1 mil quilômetros.

Com a nova frota – que além do Bartolomeu Dias inclui quatro novos navios de 3.800 contêineres e mais um de 4.800 que deve ser batizado em junho deste ano –, a Aliança pretende conquistar também o transporte de cargas que hoje sai por caminhão da Argentina e do Uruguai e se dirige até o norte do Brasil. A rota dos navios da empresa vai de Rio Grande a Manaus, passando pelos portos de Imbituba (SC), Itapoá (SC), Santos (SP), Sepetiba (RJ), Salvador (BA), Suape (PE) e Pecém (CE).

O futuro da cabotagem

A escolha de Rio Grande (RS) para o batizado da maior embarcação da Aliança não foi por acaso, conta Julian Thomas, diretor superintendente: “Rio Grande é o berço da cabotagem para a Aliança. Nosso crescimento não seria possível sem ele e sem o setor arrozeiro”. Convidado para a celebração, Paulo Telesca Bertinetti, diretor presidente do Terminal de Contêineres (Tecon) de Rio Grande comemorou o investimento da Aliança na cabotagem e cobrou maior atenção ao modal por parte dos governos para o aprimoramento da cadeia logística brasileira. Prevendo um ano difícil para a movimentação de cargas no Porto, que no ano passado foi de 700 mil contêineres, Bertinetti declarou que a cabotagem pode “ser a salvação do ano”.

Líder no setor de cabotagem no Brasil e com 13 navios em operação no serviço, a Aliança acredita que o modal pode recuperar o espaço de relevância na cadeia logística no país. “Há condições básicas para cabotagem crescer a médio prazo, como a redução de subsídios ao combustível e a lei dos caminhoneiros, que aumentam os custos do frete rodoviário. A nova lei dos Portos também incentiva”, reafirma Thomas.

No entanto, o executivo lembra que há uma série de burocracias que atrasam e complicam os investimentos tanto na implementação de novas operações como na infraestrutura. Para ele, não é necessário o desenvolvimento de um grande projeto por parte do governo. Bastam medidas pontuais que simplifiquem os processos e diminuam o excesso de documentações. “O maior investimento que o governo federal tem que fazer é uma caneta para assinar as medidas que desatam estas amarras”, resume Gustavo Costa, gerente de cabotagem da Aliança.


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