Arrecadação de impostos cai 7,3% no primeiro semestre

Em junho, a soma chegou a R$ 98 bi, o pior resultado para o mês desde 2010

Por Agência Brasil

A arrecadação federal de impostos e contribuições federais somou R$ 617,2 bilhões no primeiro semestre, com queda real de 7,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, descontada a inflação pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), utilizado pelo governo para estabelecer as metas. “O resultado do primeiro semestre de 2016 foi menor do que o resultado da arrecadação verificado no mesmo período de 2015 por causa da atividade econômica e da forte retração da atividade econômica. Atualmente, os níveis de emprego, a queda do consumo e a queda da produção industrial estão refletindo no recolhimento de impostos”, declara Claudemir Malaquias, chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal.

Em junho, o governo federal arrecadou R$ 98,1 bilhões em impostos e contribuições. O total representa queda real de 7,1% em relação ao mesmo período de 2015. Foi o pior resultado para junho desde 2010. O resultado decorreu, principalmente, do desempenho da economia, evidenciado pelo comportamento dos principais indicadores macroeconômicos que afetaram diretamente a cobrança de diversos tributos.

Cofins e PIS/Pasep
Segundo a Receita Federal, entre os principais fatores que influenciaram a arrecadação em junho está a queda da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e Contribuição para o PIS/Pasep, com redução real de 8,4%. PIS/Pasep é a sigla do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), que são contribuições sociais devida pelas empresas. O resultado sofreu o efeito da diminuição de 10,2% no volume de vendas de bens. Houve ainda redução no Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculados à importação com queda de 28,3% em razão da redução no valor em dólar da importação. No caso das receitas previdenciárias, a arrecadação registrou queda real de 3,1% no período. O recebimento de tributos sofreu o efeito ainda da queda do Imposto de Renda-Pessoa Jurídica (IRPJ), com decréscimo de 7,5%.

“A retomada virá com a recuperação do nível de emprego, consequentemente com o nível de renda das famílias e do consumo”, destaca Claudemir Malaquias. Para ele, indicadores permitem que a Receita Federal observe sinais melhores do que os projetos inicialmente para a arrecadação. “Tínhamos um resultado no início do ano previsto para o final do ano negativo [que era] maior do que os que estamos tendo hoje”, recorda. 


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