Dívida corporativa global deve ser recorde em 2020

Estudo da S&P também afirma que será inevitável um ajuste

Da Redação

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A demanda global por dívidas corporativas deverá alcançar o recorde de US$ 62 trilhões até 2020, impulsionada pela política monetária expansionista, de acordo com a análise da demanda por dívida corporativa global de 2016 realizada pela S&P Global Ratings. A agencia de classificação de risco estima que aproximadamente metade dos emissores de dívida corporativa estejam altamente alavancados. O fato indica que uma correção nos mercados de créditos globais será inevitável, de acordo com a S&P. ou seja, a correção de crédito, que teve início em  2015, deverá se estender ao longo dos próximos anos, à medida que crescem os defaults.

“Estimamos que de dois quintos (43%) a metade (47%) das 14.400 empresas não financeiras avaliadas pela S&P Global Ratings e não avaliadas consideradas na análise estão altamente alavancadas, com índices de geração interna de caixa (FFO, na sigla em inglês para funds from operations) sobre dívida inferiores a 12% e dívida sobre EBITDA acima de 5%”, explica David Tesher, coautor do relatório intitulado “Global Corporate Credit: Despite An Inevitable Credit Correction, Debt Demand Will Swell To $62 Trillion Through 2020”.

“Essas métricas de crédito são preocupantes. Até 5% desses devedores estão no limite e podem não sobreviver a um cenário de estresse significativo sem descumprir o pagamento de sua dívida”, acrescenta Terry Chan no mesmo estudo. Os analistas advertem que a maior sensibilidade a acontecimentos inesperados similares à decisão do referendo do Reino Unido de sair da União Europeia poderia nos levar a uma crise de confiança e à rápida saída dos credores e devedores com qualidade de crédito mais fraca dos mercados de dívida, cenário esse que denominam “Crexit”. 

“O desafio para as autoridades monetárias é evitar que essa possível volatilidade no mercado financeiro afete a economia real, dado que suas ferramentas estão alcançando o limite de sua eficácia”, alerta Paul Watters, coautor do relatório. O documento também sugere que as dívidas corporativas totais em aberto – incluindo novas emissões e refinanciamentos – aumentarão para US$ 75 milhões nos próximos cinco anos. A porcentagem da dívida corporativa global da China cresceria para 43% em 2020, versus 35% em 2015. No caso dos Estados Unidos, a agência prevê uma ligeira queda na dívida, de 24% para 22%, enquanto a participação da Europa (zona do euro e Reino Unido) se reduziria de 20% para 16%.

“O Brasil tem registrado o ritmo mais rápido de aumento na alavancagem (com o declínio nos fluxos de caixa), e avaliamos seu índice médio de geração interna de caixa sobre dívida como agressivo”, afirma Diego Ocampo, coautor do relatório. O país é seguido por Cingapura, Austrália, China, México e Hong Kong – que são, em geral, dependentes do comércio externo e de commodities, ou possuem relações importantes de comércio com a China – em termos de rápido crescimento da alavancagem.

O relatório cogita uma redução significativa na intensidade do crédito [crescimento do crédito corporativo dividido pelo crescimento nominal do PIB] na China, onde o aumento projetado nas dívidas dos setores de consumo e de serviços exigirá menos capital do que a recente expansão dos setores de infraestrutura e da indústria pesada.


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