Plano de recuperação judicial da Camera é aprovado

Projeto prevê busca de investidores e venda de 30% dos ativos

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

A Camera Agroalimentos, de Santa Rosa (RS), teve seu plano de recuperação judicial aprovado por credores e trabalhadores nesta terça-feira (12). O plano prevê a busca de investidores e a venda de 30% dos ativos da empresa para o pagamento da dívida de R$ 750 milhões. Outros R$ 250 milhões, relacionados a contratos de câmbio em operações de exportação, também fazem parte do passivo do grupo gaúcho, mas não estão contemplados no plano, que deve ser homologado nos próximos 10 dias. 

A prospecção por um investidor, com expertise no ramo do agronegócio, já está em curso, revela Gustavo Schmitz, advogado da consultoria Albarello & Schmitz, que conduziu o processo de recuperação. A empresa também está disposta a ceder o controle acionário. “Já há demonstrações de interesse formais, inclusive de grupos estrangeiros, pelo controle da companhia. E há outros vários interessados na compra dos ativos”, confidencia Schmitz ao portal AMANHÃ.

Entre os ativos listados para venda estão unidades de recebimento de grãos distribuídas pelo Rio Grande do Sul, como a planta de processamento de soja de Estrela e o engenho de arroz de São Borja. A Camera também contará com aportes financeiros de dois bancos para retomar as operações da fábrica de biodiesel, em Ijuí, e a planta de processamento de soja, em São Luiz Gonzaga. Ambas devem reiniciar suas atividades no início de 2017. 

O excedente da dívida que não for quitado com a venda de ativos e aportes de investidores será equacionado de acordo com a geração de caixa da companhia. “Isso possibilitará a volta de uma das maiores do Sul do país do setor do agronegócio”, exalta Schmitz. Com postos de armazenamento, recebimento de grãos e parques industriais por todo Estado, a Camera chegou a registrar faturamento de R$ 2,5 bilhões em 2013. Para este ano, a expectativa é que a receita  seja de R$ 723 milhões.

A Camera iniciou suas operações como cerealista em 1971. Ao final da primeira década dos anos 2000 realizou uma série de investimentos para diversificar a produção, construindo, inclusive, uma usina para processamento de biodiesel. Porém, por causa da seca que castigou o Rio Grande do Sul em 2012, que favoreceu a venda da soja em grão em detrimento ao processamento, a empresa começou a enfrentar dificuldades para o pagamento dos empréstimos adquiridos nos anos anteriores. A partir de 2013, a companhia começou a enxugar sua estrutura até entrar com o pedido de recuperação judicial em setembro de 2014, quando reduziu pela metade seu quadro de 1,7 mil funcionários. Hoje, trabalham 550 pessoas na Camera, número que deve crescer com a retomada das duas plantas previstas no plano de recuperação.




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