Jovens na faixa dos 30 anos são os que mais devem

Número maior de compromissos a pagar é a causa, afirma SPC

Da Redação

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O número de pessoas físicas inadimplentes continua crescendo na comparação anual, mas em patamares mais modestos do que o observado em períodos anteriores. De acordo com o indicador apurado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), o volume de consumidores com contas em atraso aumentou 3,2% em junho, mês do encerramento do primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Trata-se da menor expansão do número de devedores para os meses de junho verificado nos últimos seis anos, início da série histórica revisada. O indicador não leva em consideração a região sudeste por causa da entrada em vigor da Lei Estadual nº 15.659, conhecida como “Lei do AR”, que dificulta a negativação de inadimplentes em São Paulo.

Na comparação mensal, sem ajuste sazonal, o indicador de inadimplência apresentou um leve recuo de 0,7% no volume de consumidores inadimplentes – foi a queda mais forte desde dezembro do ano passado (-1,1%). Em números absolutos, o SPC Brasil estima que aproximadamente 59,1 milhões de pessoas físicas terminaram o primeiro semestre inscritas em cadastros de devedores, o que representa 39,76% da população com idade entre 18 e 95 anos.  Para o presidente da CNDL, Honório Pinheiro, a desaceleração do indicador não pode ser interpretado como um sinal de que os consumidores com contas em atraso estão quitando suas dívidas, mas como um reflexo do crédito mais restrito. “Os juros elevados, a inflação corroendo o poder de compra e a perda de dinamismo do mercado de trabalho tornam os bancos e os estabelecimentos comerciais mais rigorosos e criteriosos na política de concessão de financiamentos e empréstimos, o que implica em uma menor oferta de crédito na praça. Por sua vez, essa menor oferta de crédito funciona como um limitador do crescimento da inadimplência”, explica Pinheiro. 

É na faixa etária entre 30 e 39 anos que se observa a maior incidência de brasileiros negativados: mais da metade da população compreendida nesta faixa etária (50,1%) terminou o último semestre com o nome inscrito em alguma lista de devedores, totalizando aproximadamente 17 milhões de inadimplentes em número absoluto. Para o SPC Brasil, a liderança da faixa etária dos 30 anos se explica pelo fato de que geralmente, nessa idade as pessoas já são chefes de família e têm um número maior de compromissos a pagar, como aluguel, água, luz, entre outras despesas domésticas. Todos esses fatores, aliados à falta de planejamento orçamentário e os efeitos da crise econômica, impactam negativamente na capacidade de pagamento. 


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