Nem só de cautela e risco calculado vive a Mili

Empresa corta margem e lança produtos para as classes A e B

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

A paranaense Mili deu uma guinada em sua trajetória de 33 anos alinhada à fabricação de produtos populares de uso sanitário – com destaque para o papel higiênico folha simples. A empresa está consolidando duas etapas de investimentos que somam R$ 400 milhões para modernizar as fábricas de Curitiba, no Paraná, e Três Barras (foto), em Santa Catarina, e produzir artigos de qualidade e preço superior. Em 2015, concluiu um investimento de R$ 250 milhões e inicia neste ano um projeto de R$ 150 milhões. “Estamos preparando a Mili para 2020. Nossa projeção é crescer 50% em relação a 2014. Queremos chegar lá como uma empresa bem mais estruturada, com mercado maior e faturamento maior”, prevê Valdemar Lissoni, sócio-fundador e presidente, que responde pelo Li do nome da companhia.

Desde janeiro, a Mili lançou duas linhas de guardanapos de alta qualidade e uma linha completa de absorventes femininos de categoria premium. A estimativa é encerrar o ano com um crescimento nominal das vendas de 8% em relação a 2015. A curva de desempenho é checada semanalmente, destaca Lissoni. “A Mili não tem 12 meses, tem 52 semanas no ano. Até agora, a gente diria que está bom demais, com a venda em torno de 5 a 6% maior do que no ano passado”, comemora. 

Com o agravamento da crise econômica e política em 2015, a Mili apontou queda de 6,6% nas receitas de vendas, que somaram R$ 767 milhões. Ainda assim, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido foi de 20%, menor do que os 26% do ano anterior. Para não perder mercado, nem reduzir o quadro de 1700 empregados, a empresa cortou margem de lucro. “Tivemos de abrir mão, não ser gananciosos. Não se consegue, num período de mercado restrito, vender mais e ganhar a mesma coisa, na mesma taxa. Nós devemos ter perdido de 15% a 20% em 2015 em relação a 2014 no tamanho do resultado”, revela Lissoni.

Mas nem só de cautela e risco calculado vive a Mili. A estratégia de crescimento da empresa fundada em 1983 é baseada em bom atendimento da cadeia de vendedores e distribuidores, no investimento em equipamentos e tecnologia, em qualidade e diversificação dos produtos. “A Mili realiza um esforço constante para manter-se bem capitalizada. E usa o potencial de capital e liquidez para fazer compras mais adequadas, reduzir custos, fazer engenharia operacional e incrementar a área de vendas, pois a empresa é esse conjunto”, acentua Vanderlei Micheletto, o Mi da Mili, e seu vice-presidente e diretor comercial.

Além do lançamento de produtos mais sofisticados neste ano, mirando as classes A e B, a empresa está concentrada em desenvolver o mercado nordestino a partir da unidade em Maceió, capital de Alagoas, onde produz papel higiênico de folha simples. A expectativa é de que as vendas na região cresçam 50% neste ano com foco em produtos populares. A Mili vê ainda bom potencial de crescimento no consumo de toda a linha de produtos de papel sanitário (o chamado papel tissue). O brasileiro consome cerca de 6,5 quilos anuais de papel higiênico, guardanapos e toalha de cozinha, menos do que argentinos e chilenos. A perspectiva é de que em cinco anos o volume alcance os 7,5 quilos. Na Europa, o consumo per capita chega a 14 quilos. A aposta no papel higiênico, que representa 75% do faturamento da Mili, ainda é grande. Em poucos anos, o folha dupla saiu de 10% para cerca de 30% do mercado nacional. E a experiência dos europeus e norte-americanos mostra que ele deve chegar a 50% do mercado antes de a migração desacelerar e se estabelecer um equilíbrio em relação ao folha simples.

A companhia está preparada para esse movimento, tanto para continuar liderando no produto popular quanto para competir nas classes A e B. O investimento na compra e instalação da nova máquina da fábrica catarinense de Três Barras fez parte do projeto de R$ 250 milhões concluído no ano passado. Com isso, a Mili lançou também duas novas linhas de guardanapos de alta qualidade, a Bistrô e a Duplicatto – essa, como sugere o nome, envolve tecnologia inédita que confere dupla função ao produto, capaz de servir à mesa também como toalha de papel, dado seu alto poder de absorção. Outra novidade importante para aumentar o faturamento em artigos que eram pouco representativos foi o dos absorventes higiênicos. Do conceito à embalagem, a linha que está chegando agora às prateleiras foi desenvolvida para falar com a consumidora de maior poder aquisitivo e atender a todas as necessidades do fluxo feminino.

O planejamento para expansão também olha com mais vigor para o Mercosul, que responde atualmente por apenas 2% das vendas. “No Paraguai estamos muito ativos e ganhando participação. Talvez até tenhamos a liderança. No Uruguai também temos negócios e estamos em estudos e negociação na Bolívia”, anuncia Micheletto.


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