Para cima, para baixo II

A crise pega, mas fabricantes lançam produtos top. Por quê?

Por André D´Angelo

Segundo uma pesquisa, mais da metade dos novos produtos lançados no ano passado foi da categoria premium. A lista engloba desde papel higiênico até sanduíches de fast food. Por que as empresas fazem um movimento desse tipo em momento economicamente tão desfavorável?

Podemos especular sobre a resposta. A primeira razão pode estar no trading up, movimento de consumo descrito no post anterior. Nele, o consumidor opta por gastar o mínimo necessário em produtos essenciais para poder pagar preços mais altos em produtos nos quais enxerga um diferencial. 

O segundo motivo é o tamanho do mercado brasileiro. Por menos expressivo que seja percentualmente o grupo de consumidores com elevado poder aquisitivo, ele pode ser suficiente para justificar investimentos quando se pensa em uma população de 200 milhões de habitantes. É essa lógica que leva marcas de luxo à Índia e à China, países em que grassa a pobreza. Com populações que superam a casa do bilhão, qualquer pequeno segmento endinheirado representa um potencial de mercado elevado. 

 Finalmente, não dá para ignorar que há uma parcela do país que destoa da crise. Há setores, como o agronegócio, ganhando dinheiro (e gastando-o, claro). A venda de smartphones com preço acima de R$ 3 mil mais do que dobrou do ano passado para cá, por exemplo

 O que o consumidor não pode é aceitar o rótulo de premium em qualquer coisa. Tome-se o caso da companhia aérea Gol (foto). Seguindo os passos da sua acionista norte-americana Delta Airlines, a brasileira pretende cobrar mais pelas suas passagens oferecendo o que chama de atributos premium, como “frota nova” e “pontualidade”. Enquanto isso, sua sócia dos Estados Unidos proporciona wi-fi em todos os voos, cerveja artesanal, café da Starbucks e poltronas-cama na classe executiva. Isso pode-se chamar de premium; chegar no horário, não. 


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