Um hotel-design concebido para atrair consumidores exigentes

Inauguração da bandeira yoo2 no Rio de Janeiro marca entrada da rede Intercity no mercado de luxo

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Os 31 hotéis administrados no Brasil e no Uruguai colocam a Intercity, mesmo que com apenas 17 anos, entre as redes hoteleiras mais tradicionais do país. A experiência, no entanto, não impede que o friozinho na barriga que precede novos acontecimentos apareça a cada lançamento. Nesta sexta-feira (), o misto de ansiedade e excitação será, inclusive, em dose dupla. Além de inaugurar mais um hotel, a Intercity, que atua desde a sua fundação na categoria midscale [médio padrão], debutará em um novo segmento. Sob a bandeira yoo2, a empresa irá operar um empreendimento voltado ao mercado de luxo.

A decisão de se aventurar nesse caminho foi tomada pela empresa há dois anos. “Queríamos crescer e para isso vimos que tínhamos de entrar em novos nichos”, recorda Alexandre Gehlen (foto), diretor geral da Intercity. Como a hospedagem de luxo no Brasil é demandada preponderantemente por estrangeiros, a rede avaliou que precisava de uma parceria de fora do país para encarar o desafio. Na mesma época, o escritório de arquitetura londrino yoo começava um caminho semelhante em busca de parceiros em diversos países para administrar os hotéis-design que concebia. “São hotéis desenhados por arquitetos famosos. É um luxo acessível, moderno e arejado”, detalha Gehlen. O fruto do encontro das duas empresas com a belga Pylos, incorporadora imobiliária proprietária do prédio, pode ser conferido no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, em soft opening, a partir desta sexta-feira. 

Às portas do início da Olímpiada, o yoo2 já tem reservado 80% da sua ocupação em agosto pela Comitê Olímpico Internacional (COI). Segundo Gehlen, a capital carioca é uma das poucas cidades brasileiras capazes de receber empreendimentos de luxo como o yoo2. “O Brasil tem uma carência de oportunidades para esse setor, pois é um país ainda muito fechado. Nos hotéis urbanos, 90% dos hóspedes que transitam são brasileiros. Nos urbanos de luxo, a proporção de estrangeiros chega a 60%”, revela. O contrato entre a Intercity e a yoo contempla a construção de cinco hotéis, projetos que devem ganhar forma dentro dos próximos oito anos. São Paulo, Curitiba e Porto Alegre estão entre as cidades que poderão abrigar a nova bandeira. 

Além das metrópoles

As próximas unidades do yoo2 não devem, no entanto, ser as únicas protagonistas do plano de expansão da Intercity, que deseja chegar até o final de 2018 com mais de 40 empreendimentos. A puxar o crescimento está o tradicional Intercity, categoria midscale de hotéis onde a companhia originalmente se notabilizou. Somente neste ano serão mais cinco unidades (Belo Horizonte, Campina Grande, Maceió, Anápolis e Brasília). No início de 2018, o mesmo frizinho na barriga deste ano tem tudo para ser repetido. É que a rede espera iniciar a operação de mais uma nova bandeira e entrar em outro novo nicho de mercado. Santa Catarina será o berço das primeiras unidades do Hi, hotel de categoria econômica, totalmente concebido pela própria Intercity, responsável também pela sua administração e operação. “Apostamos muito nesse produto. É um projeto redondo, vai cair no gosto do brasileiro”, prevê Gehlen. A Intercity fechou contratos para construção dos novos hotéis em Joinville e Chapecó, além de negociar com Blumenau.

O Hi oferece um campo mais amplo de atuação do que o yoo2, pois permite que a Intercity invista além das grandes metrópoles. Municípios do interior estão entre os principais alvos de expansão das redes hoteleiras no Brasil. Gehlen observa que o mercado em algumas capitais já está saturado após a Copa do Mundo de 2014 – casos de Belo Horizonte, Salvador e Brasília. “Costumo dizer que o grande legado da Copa não foi a melhora da infraestrutura e sim a superoferta”, ironiza Gehlen. Ou seja, a demanda não acompanhou a expansão da rede hoteleira. A recessão econômica também colaborou para que a taxa de ocupação apresentasse consecutivas quedas nos últimos três anos, conforme levantamento do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que reúne 28 redes associadas. Em 2015, a taxa de ocupação no país caiu 7,7%. 

Por ter o cliente corporativo como público principal, a Intercity sentiu o impacto da queda da produção econômica nacional – ainda que em algumas cidades onde atua, como Rio de Janeiro e Gramado, o turismo de lazer, impulsionado pela alta do dólar, tenha amenizado parte dessa perda. O ritmo mais lento do mercado postergou alguns projetos da empresa e a meta de ultrapassar as 40 unidades estipulada para o ano passado teve de ser adiada para 2018. Mas, como se vê, nada que fará com que o projeto pare. “Nosso plano de crescimento continua de pé. O brasileiro é rápido. É só a economia dar um sinal que o mercado entra nos eixos novamente”, confia Gehlen.  



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