Em busca de mercados mais palatáveis

Docile adota precaução no Brasil e se prepara avanço no exterior

Por Laura D´Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

No ano em que completa 25 anos, a fabricante de candies e guloseimas Docile já se deu seu presente: uma nova fábrica para atender ao mercado nordestino. A unidade de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, que substituiu a antiga, em Jaboatão dos Guararapes, no mesmo estado, é quatro vezes maior. Ela opera desde o início de 2016 atendendo o mercado responsável por mais de 20% do faturamento anual da empresa. Esse foi apenas um dos investimentos preparados pela empresa de Lajeado (RS), no ano passado, para que o jubileu de prata fosse celebrado em alto estilo. No total, foram R$ 24 milhões destinados a compras de equipamentos e de um terreno para aumentar a unidade fabril gaúcha, além da nova fábrica, que exigiu um terço do total investido.  

“Tomamos diversas ações para estruturar a empresa para crescer”, afirma Ricardo Heineck (foto), diretor de marketing da Docile e fundador da empresa, ao lado dos irmãos Alexandre e Fernando. O crescimento, porém, deve vir aos poucos, admite ele. Apesar de comercializar produtos de baixo preço, que sentem menos os impactos da inflação e do recuo do consumo, a Docile não espera aumentar mais do que 5% o volume de vendas este ano – uma meta que Heineck considera “desafiadora” no cenário macroeconômico e político atual. Os aportes neste ano, portanto, serão menores no Brasil (R$ 6 milhões) e voltados à melhora da produtividade. 

Se o cenário nacional anda um pouco amargo para a companhia, o exterior se mostra atraente. Hoje, a Docile exporta para 50 países. A companhia parte agora para a reconquista de maior participação em mercados nos quais perdeu competitividade com o dólar desvalorizado perante o real nos anos anteriores – caso dos Estados Unidos e de países da América Central e da África. A Docile também tem levado suas balas de goma, chicles e pastilhas para os países do Oriente Médio que exigem a certificação halal. Cerca de metade dos 200 itens da sua linha são feitos sem a utilização de gelatina suína e álcool, substâncias proibidas para consumo aos seguidores do islamismo. “Não é uma certificação complexa de conseguir e abre diversas portas de mercados potenciais para guloseimas”, conta Heineck. Das 2 mil toneladas de candies produzidos mensalmente, 3% têm como destino os países árabes.

Enquanto espera o reaquecimento da economia brasileira e prepara o avanço em terras estrangeiras, a Docile não deixa de manter o ritmo de lançamentos nas seis linhas de produtos que trabalha – marshmallows, balas de gelatina, balas de goma, pastilhas, chicles e refrescos em pó. Anualmente, entre dez e 15 novos produtos colocados no mercado. A empresa esteve recentemente em uma feira, no Japão, para acompanhar as principais novidades voltadas ao segmento. O consumidor está sempre em busca de novos sabores – e, nesta indústria, nenhum conservante é mais poderoso que a inovação.

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