Indústria siderúrgica demitirá mais de 11 mil até junho

A previsão foi anunciada pelo Instituto Aço Brasil

Da Redação, com Agência Brasil

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A indústria brasileira do aço vive a pior crise da sua história. Depois de reduzir o quadro em 29.740 pessoas no biênio 2014 e 2015, a previsão do setor é fechar o primeiro semestre do ano com quase 11,3 mil demissões e um total de cinco altos fornos parados. A previsão do Instituto Aço Brasil é de que a produção de aço – estimada em 31 milhões de toneladas – seja 6,8% menor este ano do que em 2015, enquanto as vendas recuem 10, totalizando 16,4 milhões de toneladas. O consumo aparente projetado para este ano é de 18,2 milhões de toneladas, queda de 14,4%, voltando ao patamar de 2007.

No acumulado até maio, a produção brasileira de aço bruto foi 13,2% inferior do que no mesmo período de 2015, totalizando 12,3 milhões de toneladas. Já as vendas internas de produtos siderúrgicos caíram 18,4%, chegando a 6,7 milhões de toneladas. O consumo aparente de aço no País foi de 7,4 milhões de toneladas, o que representa redução de 25,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

“Os indicadores refletem a convergência de fatores conjunturais e estruturais. No plano conjuntural, o cenário político-econômico nacional foi determinante para que os principais setores consumidores de aço: automotivo, construção civil e de máquinas e equipamentos registrassem quedas sucessivas em seus resultados, encolhendo substancialmente o mercado interno de aço. No plano estrutural, a manutenção das assimetrias competitivas evidencia ainda mais as dificuldades que a indústria nacional tem historicamente de concorrer com seus competidores internacionais”, revela a associação em nota. 

Exportação
A exportação, no curto prazo, é o único caminho para melhorar o grau de utilização de capacidade instalada na ordem de 60%. No entanto, o setor convive com excedentes de capacidade produtiva internacional que ultrapassam 700 milhões de toneladas que levam a práticas predatórias e desleais de comércio e preços depreciados. “Além disso, as assimetrias competitivas, principalmente devido aos elevados custos financeiros e aos resíduos tributários, não tem permitido que as empresas obtenham retorno financeiro das exportações”, reclama o Instituto Aço Brasil. 

“É fundamental que, nesse contexto, o governo invista em mecanismos de defesa comercial ágeis e eficazes, não reconheça a China como economia de mercado e contribua para o aumento da competitividade da indústria do aço brasileira. Para aumentar essa competitividade é preciso reestabelecer alíquota do Reintegra em 5%, conforme previsto no parágrafo 2º, art. 22 da lei 13.043/2014. Ou seja, alíquota que compense os resíduos tributários. Tais ações são fundamentais para a sobrevivência da indústria do aço brasileira”, cobra a entidade. 


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