De mim para eu

Duas ou três coisas sobre presentear-se

Por André D´Angelo

O dia dos namorados que se aproxima é a terceira data mais forte para o comércio atualmente, à frente do tradicional dia dos pais e só perdendo para o das mães e o Natal. É um momento em que muita gente compra presente: os envolvidos em relacionamentos, para seus parceiros. E os solteiros, para si. Bom motivo para falarmos sobre os autopresentes.

Presentear-se pode ser definido como uma autoindulgência. E como um ato geralmente motivado por vários fatores. Uma data especial, por exemplo, como aniversário, Natal ou 12 de junho, na tentativa de “ser legal consigo mesmo”. Ou como recompensa por um sucesso (passar em um exame, ser promovido), consolo por um fracasso (reprovação, fim de um relacionamento) ou momento de estresse. O autopresente também pode vir de algo fortuito, como um dinheiro extra inesperado.

Do ponto de vista em si, presentear-se pode conter uma curiosa função autorregulatória, funcionando como um contrato consigo mesmo: caso um objetivo seja alcançado, permite-se uma recompensa proporcional. Por isso mesmo, autopresentes costumam ser premeditados, planejados. E quem se presenteia costuma dar menos importância ao preço no momento da aquisição, preferindo objetos não essenciais, marcadamente especiais. Até porque são ocasiões especiais. Caso tornadas rotineiras, perdem o caráter excepcional e, por conseguinte, a graça e o significado. 

 Mas talvez o mais interessante seja a combinação do presentear com o presentear-se. Sim, é possível unir esses dois atos num só. Para algumas pessoas, dar algo para alguém é uma experiência tão positiva que basta ficar imaginando a reação do presenteado para sentir-se, por si só, recompensado. 

 Ou, por tabela, presenteado também. 


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