Mendonça de Barros crê em recuperação a partir de 2017

PIB deve crescer 2% no próximo ano e até 3% em 2018, prevê CEO da Foton

Por Dirceu Chirivino

dirceu@amanha.com.br

Com experiência de 45 anos vividos como executivo na vida privada e pública do país, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros (foto), hoje presidente da Foton Caminhões, acredita que a economia começará a dar sinais de recuperação já no próximo ano. “A possibilidade de um governo com novas diretrizes e a presença de Meirelles à frente da economia, certamente são fatores que contribuirão para recuperar a confiança dos investidores. É um passo largo para a restauração”, opinou Mendonça de Barros que palestrou nesta quarta-feira (4) no tradicional Tá na Mesa, promovido pela Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul), em Porto Alegre. 

O Brasil deve crescer 2% no próximo ano, de acordo com cálculos de Mendonça de Barros. “Em 2018 a taxa ainda pode chegar aos 3%”, projetou.  Ao saudar o convidado, a presidente da Federasul, Simone Leite, destacou que o primeiro evento da sua gestão fica marcado pelo otimismo tão necessário e escasso atualmente. “O que queremos é conhecimento e boas experiências no caminho da entidade”, declarou. 

Os sinais de melhora, segundo Mendonça de Barros, aparecem com a redução dos juros e com a urgente renegociação da dívida dos Estados, mas a virada deve acontecer com a retomada da expansão do mercado de trabalho. Na visão do economista, a bolha do consumo estourou com a volta da inflação e dos indicadores de desemprego. Ele identifica que os brasileiros estão divididos em dois grupos: os que vivem na economia formal com contrato de trabalho e os que estão na informalidade e necessitam das iniciativas governamentais. A soma dos fatores, que Mendonça de Barros chama de descontrole operacional, resultou em um erro de diagnóstico que comprometeu a lógica até então praticada no mercado. “Em 2012, no pico do ciclo de crescimento, a economia conclamava um ajuste recessivo. Essa era a postura a ser adotada”, recordou. De lá pra cá, as taxas despencaram, mas na avaliação do palestrante o processo de desaceleração pode ser revertido com uma agenda positiva. 

A fórmula de reversão apresentada por Mendonça de Barros passa, necessariamente, pela separação das ações políticas das estratégias econômicas. “A economia é uma área independente”, defendeu ao sugerir que é preciso mudar a política para que as tensões sejam resolvidas. Mesmo sem declarar apoio ao atual ou próximo governo, o presidente da Foton Caminhões afirmou ter certeza que a equipe formada para uma eventual administração de Michel Temer está preparada para enfrentar os desafios. “O Brasil está prestes a deixar de ser um país de esquerda para ocupar a posição de centro direita”, anteviu. 

Atual governo
O executivo credita a crise atual ao erro de diagnóstico da economia feito pela presidente Dilma em 2012. “A terapia que ela começou a aplicar, eu conhecia muito bem e sabia a confusão que ia dar”, declarou. “Todo o sucesso econômico do governo do PT tinha sido construído a partir do ciclo econômico baseado nas commodities. Agora, de dois anos pra cá, ficou claro que com o ciclo das commodities em queda, chegava ao fim o período hegemônico do PT”, reiterou. O economista recordou, no entanto, que o ex-presidente Lula soube aproveitar o bom momento do seu governo para distribuir renda. “Na ocasião, as empresas também estavam lucrando muito e, portanto, não se sentiam encorajadas a reclamar do ônus que recaía sobre elas”, ponderou.  


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