O Banco Central estaria perto de começar a cortar a Selic?

Nova diretoria do BC poderá ter espaço para iniciar esse movimento

Por Infomoney

O Comitê de Política Monetária do Banco Central manteve na quarta-feira (27), em decisão unânime, a taxa de juros básica da economia em 14,25%. A autoridade monetária entendeu que a inflação ainda está muito alta para permitir um corte dos juros (veja aqui). No comunicado, o Copom reconheceu avanços na política de combate à inflação, mas ponderou que a elevada inflação em 12 meses e as expectativas para a inflação ainda distantes da meta "não oferecem espaço para a flexibilização da política monetária".

Essa foi a primeira vez desde outubro do ano passado que o Copom tomou uma decisão unânime. No entanto, quais serão os próximos passos? "A decisão veio sem novidades, mas o comunicado foi dovish [opção por uma política monetária acomodatícia que mantenha os juros baixos]. O BC citar no comunicado que não é a hora de cortar juros pode levar à leitura de que a próxima reunião vai ser o momento", analisa Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos. Na visão de Zeina, o comunicado não necessariamente significa corte na próxima reunião, mas o mercado pode ler dessa forma. "A reunião passada teve dissenso com alta [dois diretores votaram pela elevação da Selic]. Em um mês e meio já dá para ter tantos sinais melhores? Ainda tem muita incerteza. O BC poderia ter feito um comunicado mais conservador", opina Zeina. 

A unanimidade surpreendeu André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos. “Eu imaginava que teriam alguns diretores pensando numa alta da taxa de juro por conta da política fiscal ainda frouxa. Mas não vou mudar meu cenário de corte de juro só em outubro. Enquanto a inflação de 2016 não cair para dentro da meta, eles não devem cortar a taxa de juro. Isso deve demorar mais um pouco ainda", prevê. 

Pedro Tuesta, economista sênior para a América Latina da 4Cast, espera mudanças com o governo Temer. "A decisão unânime e o tom do comunicado, além dos comentários que estão sendo feitos pelo provável novo governo, irão aumentar as apostas no corte de juros já em julho. Estamos alterando nossa previsão de baixa para agosto ante outubro", aposta. Roberto Padovani, economista-chefe do Banco Votorantim, entende que o Copom preferiu estender o comunicado para mostrar que, apesar da unanimidade, não há ainda condições de afrouxar. "Votação unânime poderia sinalizar que os dissidentes mais cautelosos já não estão mais tão preocupados com a inflação. O BC mostrou que neste momento não está vendo espaço para cortar a taxa de juros. É preciso lembrar que na reunião de junho já se pode ter um novo BC, uma nova diretoria", alerta. "Com sinais fiscais mais sólidos e um novo BC com forte credibilidade, isso pode favorecer o espaço para corte de juros", confia Padovani. 


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