A superação de crise das empresas requer uma equipe

Para Telmo Schoeler, o grupo deve elaborar plano de ações corretivas

Por Telmo Schoeler*

As empresas brasileiras estão vivendo a maior crise dos 516 anos do país. O PIB está em queda, inflação e desemprego em alta, há perda de renda e de produção. Fatos que são consequência de um modelo de governo contrário aos interesses dos cidadãos, acostumado a ter gestão pública ineficiente e com desvio de conduta de seus líderes. Parlamentarmente, esse cenário entrou em fase de reversão nos últimos dias.

Mas a crise das empresas também tem origens internas, invariavelmente ligadas a deficiências de gestão. Toda crise se materializa, em sua essência, na falta de caixa e incapacidade de honrar compromissos com todo tipo de credores – sejam eles laborais ou societários. Para entender a carência de recursos, é vital enxergar a empresa no seu viés holístico, ou seja, percebê-la como um ser vivo com quatro dimensões:  operações, comercial, recursos e gestão – todas interconectadas e interdependentes, de cuja síntese emerge o resultado, positivo ou negativo. 

Espelhando-se na medicina, onde é necessário observar sintomas, identificar causas, traçar um tratamento e executá-lo na forma e ordem correta, o caminho sistêmico deve ser rigorosamente igual nas empresas. O sintoma já é percebido. Cabe identificar as deficiências em cada uma dessas estruturas, suas causas, relações de causa-efeito, ações corretivas, bem como os detalhes de implementação. A crise é consequência de desajustes nessas ou entre essas dimensões.

Por isso, o tratamento e cura das empresas só é possível com:

1 – reconhecimento e consciência dos problemas e suas causas; 

2 – elaboração de competente plano de ações corretivas; 

3 – disposição de implementá-lo, acatando as mudanças que se impõe; 

4 – capacidade dessa implementação em termos de recursos financeiros e humanos; 

5 – obtenção de adequado prazo e eventuais condições negociais para reversão do atual quadro crítico, mediante entendimento e adesão dos credores envolvidos. 

Assim como na medicina o cirurgião é inútil sem o suporte de instrumentos e, de forma imprescindível, de energia e oxigênio, a superação de crise das empresas requer a atuação de uma equipe – advogados, consultores e gestores – qualificada, experiente, e suportada pela existência dos recursos necessários, de origem interna ou externa. A cura custa e alguém paga por ela.

*Fundador e Leading Partner da Strategos Consultoria Empresarial e da Orchestra Soluções Empresariais. Schoeler será um dos participantes do Seminário Cenário de Crise: Caminhos e Soluções, na Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), na próxima sexta-feira (28). 


leia também

A magia do vinho no sudoeste da França - Fernando Dourado Filho conta como a bebida pode mudar o rumo dos negócios

A Pauliceia desvairada - São Paulo tem uma legião de fãs e que certamente não a trocam por lugar nenhum no mundo

A recuperação judicial sob o viés do investidor - Palestra em Porto Alegre nesta sexta-feira (16) tem inscrições gratuitas

A responsabilidade da gestão é ainda maior na saúde - Para Pizzato, da Unimed POA, zika é reflexo de falta de planejamento

A vez da inteligência na cadeia de suprimentos - A rentabilidade pode até aumentar – mesmo em tempos de crise

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: