Despensa cheia em favor do bolso

Consumidores voltam a formar estoque para proteger salário da inflação

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

A inflação perdeu fôlego nos últimos meses e nas projeções para os próximos, mas o consumidor ainda não percebeu o movimento e se protege como pode. O comportamento aparece no check-out dos supermercados.  A primeira quinzena voltou a ser mais forte no faturamento do setor, segundo Fernando Yamada (foto), presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), que veio a Curitiba para a abertura da Mercosuper 2016. “As pessoas estão mais preocupadas com preços e fazem estoque de alguns produtos para proteger o dinheiro”, relata.

O aumento do fluxo de clientes nas lojas nos primeiros 15 dias do mês se soma a outras estratégias do brasileiro, que viu o IPCA acumular 9,3% de alta até março e ainda não sentiu os efeitos no bolso da recente desaceleração. Mesmo a percepção de que os aumentos perdem ritmo é muito tênue. O indicador Expectativa de Inflação dos Consumidores, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), mostra que a mediana da inflação prevista por eles para os 12 meses seguintes a março é de 11,1%, contra 11,4% da avaliação anterior. É o terceiro maior índice desde 2005.

Outra pesquisa, a do SPC Brasil e CNDL, revela o segmento de serviços como o que mais sofre com a mudança no padrão de consumo das famílias no momento de crise aguda. As pessoas deixam de viajar, cortam saídas com amigos para bares e restaurantes, tiram produtos de beleza da lista, além de cancelarem serviços de internet, celular e TV por assinatura. Até os gastos com educação e saúde passam pela tesoura doméstica de 85,9% dos brasileiros.

As empresas também se adequam aos tempos de dificuldades ao baixar custos e aumentar a produtividade, constata Yamada. Uma das estratégias do setor passa pela readequação do espaço, com investimento na chamada gestão de categorias. As redes aplicam estudos científicos sobre decisão de compra, hoje mais baseada na relação entre custo e benefício. “As lojas tendem a ser menores em área, mas com mix mais adequado à busca do consumidor, que privilegia marcas fortes, embalagens econômicas e produtos de alta performance. Isso acontece em todas as faixas de renda e, principalmente, com produtos de higiene, limpeza e nutrição. O consumidor está aprendendo que se errar na escolha vai gastar mais com isso”, ilustra Yamada. Como consequência, cresce a tendência pelas lojas de vizinhança e entra em declínio a era dos hipermercados urbanos.

Universidade Positivo na feira
A Mercosuper é promovida pela Associação Paranaense de Supermercados e deve mobilizar 35 mil visitantes. Além da exposição e lançamento de produtos por 150 fornecedores do segmento, a convenção promove palestras sobre 
o varejo nacional e cursos.  A edição deste ano tem a participação do Laboratório da Universidade Positivo (UP). No espaço chamado “Hub do Varejo”, a UP faz a demonstração de 12 soluções start-ups aplicadas aos supermercados. Além disso, a universidade leva à Mercosuper mais de 30 palestras gratuitas com especialistas de renome da política, economia e administração, em temas que vão do endobranding ao merchandising. Os participantes também participam de cursos de extensão gratuitos, certificados pela UP.

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