Armando Monteiro prevê dólar “amigável ao exportador” em 2016

No Sul, o titular do MDIC afirmou que novo patamar do câmbio abriu uma janela de oportunidades para as empresas

Por Laura D´Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

A balança comercial brasileira deve continuar destoando entre tantos números negativos e quedas de índices de produção neste ano. Mesmo que no primeiro trimestre tenha havido uma queda de 5,1% no valor das exportações na comparação com igual período de 2015, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Armando Monteiro (foto), afirmou estar convicto de que o país terá aumento de receita das exportações. Por isso, deve registrar, como em 2015, saldo comercial positivo. O MDIC usa a projeção de um superávit de US$ 35 bilhões para este ano, quase o dobro do ano passado (US$ 19,7 bilhões).

Segundo Monteiro, o recuo do valor de exportações entre janeiro e março está mais ligado à queda de preços generalizada no comércio mundial, principalmente das commodities, e não a uma diminuição de ritmo do setor exportador nacional. "Estamos ampliando os volumes exportados. Isso consegue compensar parcialmente essa queda de preços”, ressaltou Monteio no Almoço da Exportação, promovido por instituições do comércio exterior nesta terça-feira (5) em Porto Alegre (RS). 

Monteiro também descartou que a recente desvalorização do dólar possa afetar o desempenho das exportações, considerando que a média da taxa cambial ao longo do ano será “amigável ao exportador”. O ministro entende que o novo patamar do câmbio abriu uma janela de oportunidades para as empresas, seja estimulando um novo “surto de substituições das importações”, seja compensando, com as vendas para o exterior, os altos custos encontrados no mercado doméstico.

Acordos para estimular as exportações
Em sua palestra, Monteiro destacou o trabalho realizado no MDIC para inserir o Brasil na rede de acordos do comércio internacional. Uma das ações comandadas pelo ministério foi o desenvolvimento de um convênio com os Estados Unidos na construção de um padrão de normas técnicas que atenda às especificações norte-americanas. Monteiro afirmou que laboratórios norte-americanos se instalarão no Brasil para fazer certificação dos produtos nacionais que têm como destino final dos Estados Unidos. “Isso significará redução de custos e ganho de tempo para os exportadores”, comemorou. Entre os principais setores beneficiados estão o de cerâmica e máquinas e equipamentos.

O ministro também prevê para este mês o anúncio de um acordo bilateral de comércio do Mercosul com a União Europeia. Monteiro salientou ainda a aproximação do Brasil com o Irã após uma visita promocional do MDIC ao país asiático. O Irã se prepara para reintegrar à comunidade internacional e renovar sua indústria e frota. O Brasil já foi consultado para atender as demandas iranianas, que devem, inclusive, beneficiar empresas do Rio Grande do Sul. “Há uma quantidade expressiva de caminhões pesados e ônibus que serão adquiridos de empresas gaúchas”, antecipou Monteiro. 


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