Até onde vai o rali do Ibovespa?

Cenário básico deve continuar negativo para o ano, dizem analistas

Por Infomoney

Até onde vai o rali do Ibovespa?

Nem inflação, nem PIB, nem o dólar a mais de R$ 3 foram capazes de frear o ímpeto altista do Ibovespa, que em pouco menos de 30 dias já subiu mais de 12% e atualmente bateu os 54 mil pontos - algo que não acontecia desde novembro passado. Diante desse cenário, duas perguntas ficam no ar: esse rali faz sentido? Tendo sentido ou não, quanto tempo ele vai durar?

Na opinião do analista fundamentalista, Flávio Conde, o movimento atual do Ibovespa está ligado a cinco fatores, entre os quais três são internacionais e dois são brasileiros. Do lado internacional, a queda do yield (rendimento) das treasuries após os dados de emprego nos EUA afetam positivimente os mercados acionários de países emergentes, junto com os discursos mais "dovish" (moderados) de mebros do Fed. "Isso aumenta o dinheiro [na economia global] e o apetite por risco", explica. Ao mesmo tempo, outros drivers internacionais importantes como o acordo nuclear no Irã e o possível pagamento da parcela da dívida da Grécia com o FMI criavam um ambiente positivo para a Bolsa.

Já no cenário doméstico, a aprovação das medidas de ajuste fiscal e as expectativas pela divulgação do balanço da Petrobras (PETR3; PETR4) são importantes para manter uma alta no mercado. Com isso, para ele, a alta da Bolsa acontece por conta das mudanças no cenário marginal e são estes fatores, ao lado dos movimentos do minério de ferro e da economia da China, que explicam o momento atual e que podem trazer queda caso sofram alterações. "O cenário na margem mudou, mas o básico continua ruim com inflação baixa, economia desacelerando e juros nos EUA esperados para o segundo semestre", explica Conde.

Quem vê um quadro parecido é Luis Gustavo Pereira, da Guide Investimentos, que vê a Bolsa chegando a 56 mil pontos na toada atual. Para ele, o principal vetor de alta é o dólar, que estava pressionado e operava perto dos R$ 3,30 com o cenário político tenso atrapalhando a aprovação das medidas de ajuste fiscal e com a possibilidade do Fed elevar os juros já em junho. Além de operar em níveis mais baixos do que anteriormente, o câmbio agora também perdeu a volatilidade que aumentava o risco para ativos em Bolsa.

"A volatilidade no dólar é negativa para a Bolsa. Você consegue dar uma previsibilidade um pouco maior do jeito que está agora", explica Luis Gustavo.

O próprio rompimento da resistência do Ibovespa aos 52 mil pontos ocorrido na semana passada, fez com que posições vendidas fossem cobertas, fazendo com que o mercado esteja agora mais para "bulls" (compradores) do que para "bears" (vendedores) , na opinião do analista.

Levando isso em consideração, o rali ainda tem espaço para continuar, mas o investidor deve continuar cauteloso e de olho em Levy, no Fed e no dólar.



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