Bolsa fecha primeiro trimestre com alta de 15%

Entre janeiro e março, o valor do dólar frente ao real caiu 8,9%

Por Laura D´Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Bolsa fecha primeiro trimestre com alta de 15%

Novas fases da Operação Lava Jato, o risco de impeachment da presidente Dilma, a investigação sobre o ex-presidente Lula e a debandada do PMDB do governo federal. Esses foram apenas alguns dos acontecimentos da agitada cena política nos três primeiros meses de 2016 que refletiram diretamente no comportamento do mercado financeiro. As sinalizações de uma possível troca de governo – e a consequente mudança da política econômica atual, o que resgataria confiança dos investidores no país – trouxeram ares otimistas à bolsa de valores e frearam as constantes altas que o dólar sofria desde o ano passado. 

Tanto que entre janeiro e março, o Ibovespa, principal índice brasileiro da bolsa valores, subiu 15%, maior alta desde o terceiro trimestre de 2009. Por outro lado, os acontecimentos que reforçaram a presença do governo no comando do país causaram efeito contrário. Foi o caso desta quinta-feira (3), quando a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter a decisão de Teori Zavascki determinando a suspensão das investigações da Lava Jato sobre Lula, o que derrubou o Ibovespa em 2,3%.

O dólar, no entanto, teve um dia de acordo com a curva do trimestre e fechou com leve queda de 0,6%. Nos três primeiros meses, o valor da moeda norte-americana frente ao real caiu 8,9%, fechando em R$ 3,60. Somente em março, a queda chegou a 10%, o maior avanço em 13 anos. Além do cenário político nacional, colaborou para a alta o contexto internacional de maior demanda por ativos de risco. Entre as principais divisas emergentes, o real tem o segundo melhor desempenho frente ao dólar no ano.

No caso de não haver uma definição sobre a permanência do governo, os analistas acreditam ser possível que a instabilidade política acentue a volatilidade da cotação do dólar. Outro fator que contribui para as incertezas em relação à moeda é a ação do Banco Central. Operadores entendem que o BC tem agido para evitar cotações muito baixas do dólar. Tudo para proteger as exportações em um momento de recessão econômica. 


leia também

Dilma diz que sofreu segundo golpe de Estado na vida - Ex-presidente afirmou que recorrerá contra o que chamou de “fraude”

A China fez o que o mercado queria - Corte de juros era algo esperado, mas ainda não é suficiente para ajudar na recuperação econômica, afirmam especialistas

A estabilidade do funcionalismo público é mesmo necessária? - O tema é particularmente importante no contexto de ajuste fiscal, avalia Zeina Latif

A punição virá das gôndolas? - A tentativa de boicote às marcas do Grupo J&F

A responsabilidade do Congresso - O cuidado com os recursos públicos e o respeito à restrição orçamentária deveriam ser valores da casa, opina Zeina Latif

A superfície e as profundezas da economia - Retomada poderá ser difícil dada a situação financeira empresarial

comentarios


Seja o primeiro a comentar a notícia!



Comentar

Adicione um comentário: