PR e RS dão sinais de baixo crescimento populacional

Dupla antecipa um cenário que atingirá todo o Brasil – inclusive SC

Por Laura D´Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Região Sul dá sinais de baixo crescimento populacional

Em 2015, o debate em torno da aposentadoria de servidores públicos estaduais inspirou reformas importantes – e muitas polêmicas – no Paraná e no Rio Grande do Sul. A preocupação é grande. A cada ano, o rombo na previdência cresce mais um pouco, tornando mais desafiadora a tarefa de manter a máquina pública girando. Entre os censos de 2000 e 2010, as populações dos dois Estados estiveram entre as que menos cresceram no Brasil (veja a tabela a seguir). A do Rio Grande do Sul, inclusive, foi a que menos cresceu no país – reflexo não só do baixo índice de fecundidade, mas também do fluxo migratório negativo, como indica Pedro Zuanazzi, do núcleo de Demografia e Previdência da Federação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE). 

Se mantiver o ritmo de crescimento, a população com mais de 65 anos deverá dobrar no Paraná e no Rio Grande do Sul, entre 2010 e 2030. Ao mesmo tempo, a população economicamente ativa (de 15 a 64 anos) deverá diminuir. “Não se quer dizer que todo aposentado será servidor público, mas há uma relação. Os Estados mais idosos costumam ter servidores públicos mais idosos. Além disso, há o problema fiscal: a população ativa, que sustenta o déficit da previdência, não está se repondo”, diz Zuanazzi.

Paraná e Rio Grande do Sul estão entre os primeiros Estados a dar sinais de baixo crescimento e envelhecimento populacional. Mas a dupla só está antecipando um cenário que, mais cedo ou mais tarde, atingirá todo o Brasil – inclusive Santa Catarina. 

Países desenvolvidos como Alemanha e Japão enfrentaram o mesmo processo nas últimas décadas. A diferença, segundo Zuanazzi, é que, nesses casos, a mudança ocorreu em ritmo mais lento. Mesmo assim, o envelhecimento e a baixa natalidade não deixam de ser um problema para a economia global. Como alternativa, esses países adotaram políticas de incentivo à natalidade e até à imigração. Se nos próximos anos as projeções se confirmarem, Paraná e Rio Grande do Sul – e todo o Brasil – terão de seguir o mesmo caminho.


UF Cresc. Pop. (2000-2010)
RS 7,3%
RJ 8,6%
PI 9,2%
BA 9,2%
PB 10,0%
PE 10,6%
MG 10,8%
PR 10,9%
AL 11,5%
SP 12,4%
Brasil 12,7%
CE 12,7%
MA 14%
RN 15%
ES 15,7%
SE 16,2%
SC 16,4%
MS 17%
RO  18,7%
MT 19%
PA 19,6%
TO 19,6%
GO 21,3%
DF 23,4%
AC 25%
AM  25,5%
RR 36,8%
AP 37,4%

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