Indústria brasileira tem a pior atuação entre as principais economias

O setor recuou 12,4% no quarto trimestre do ano passado, bem abaixo da produção mundial que avançou 1,9% no período

Da Redação

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Indústria brasileira tem o pior desempenho entre as principais economias

A indústria nacional terminou 2015 com o pior desempenho entre as principais economias. Os dados foram revelados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) com base nos dados da Unido (United Nations Industrial Development Organization), um braço das Nações Unidas para a indústria. No quarto trimestre do ano passado, a produção brasileira recuou 12,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou bem abaixo da produção mundial, que avançou 1,9% no período. A indústria russa desabou 5,7% no quarto trimestre. Na América Latina, a queda foi de 4%. 

“A liderança dessa involução industrial em 2015 coube aos bens de capital cuja contração atingiu 25,5%. Na raiz desse processo está a mesma engrenagem perversa que penalizou o investimento: deterioração generalizada do estado de confiança dos empresários, contração real do crédito, elevação dos juros, intenso corte do investimento público e paralisia das inversões da Petrobras e do setor de construção pesada”, avalia o documento do Iedi. 

O estudo do Iedi revelou que a indústria mundial também colocou o pé no freio. Nos países em desenvolvimento, por exemplo, a produção industrial avançou 4,6% no quatro trimestre de 2015 na comparação com o mesmo período de 2014. No trimestre anterior, a alta havia sido de 4,9%. Nos países desenvolvidos, a indústria cresceu 0,2% nos últimos três meses do ano passado. No entanto, no trimestre anterior, a alta havia sido de 1%.

Entre tantos indicadores ruins, o Iedi chama a atenção para uma notícia boa ocorrida no ano passado: a relação entre dólar e real. “A taxa de câmbio mais competitiva deve, de fato, contribuir para uma retomada das exportações e um processo de substituição de importações”, sublinha o estudo. “Mas apenas isso não deve ser suficiente para reverter a situação adversa em que a indústria e a economia brasileira ainda se encontram, especialmente diante do baixo dinamismo da economia mundial e do ambiente de incertezas produzido pelo acirramento dos conflitos políticos internos”, alerta a entidade. 


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