O maior prejuízo da história da Petrobras revela um cenário desafiador

A estatal precisa de uma reversão nos preços e mudanças internas rápidas e agressivas para voltar a atrair investidores

Por Infomoney

A Petrobras surpreendeu negativamente o mercado com a divulgação de seu maior prejuízo da história no balanço referente ao exercício do quarto trimestre de 2014

A Petrobras surpreendeu negativamente o mercado com a divulgação de seu maior prejuízo da história no balanço referente ao exercício do quarto trimestre de 2014. A companhia fechou o período entre outubro e dezembro com perdas de R$ 36,9 bilhões, resultado muito aquém do esperado pelos analistas.

Logo após a apresentação dos números, os ADRs da estatal chegaram a marcar queda de 10%, e terminaram com perdas de 5%. Nesta terça-feira (22), os papéis correspondentes às ações preferenciais da companhia são negociados com queda de 4% em NYSE. Logo na abertura do pregão da BM&FBovespa, os papéis já acumulavam retração de 3%. No entanto, o movimento perdeu força ao longo da manhã. As ações PN da estatal caíam 1,1% e os papéis ON subiam 0,8% por volta de meio-dia.

Em relatório a clientes, os analistas do Santander destacaram as elevadas perdas por impairment [trata-se da redução do valor recuperável de um bem ativo. Na prática, quer dizer que as companhias avaliam os ativos que geram resultados antes de contabilizá-los no balanço] no valor de R$ 48,3 bilhões, um reflexo dos baixos preços do petróleo. "Isso marcou o segundo ano consecutivo em que a empresa registrou prejuízo líquido devido a impairments, resultando assim em nenhum pagamento de dividendos. Além disso, como nos trimestres anteriores, a empresa reservou ainda outra despesa de imposto que feriu os resultados trimestrais", escreveram Christian Audi e Gustavo Allevato. O Ebitda ajustado no período ficou em R$ 19,8 bilhões, 2% abaixo das estimativas dos especialistas do banco.

Na avaliação da dupla, embora os recentes episódios políticos brasileiros estejam contribuindo para a valorização das ações da estatal na Bolsa, o mercado deverá reagir negativamente ao conjunto de resultados, "dada a magnitude das perdas e a contínua falta de visibilidade em termos de necessidade de futuras provisões referentes a despesas com impostos e outros fatores".

Os resultados apresentados pela Petrobras na véspera, somados aos preços do petróleo na casa dos US$ 40 o barril, tornam a história dos papéis da estatal desafiadora, apontam os analistas Antonio Junqueira, Julia Ozenda e Andres Cardona, do BTG Pactual, em relatório a clientes. "No passado recente, a estratégia de venda de ativos da companhia tem melhorado, mas não o suficiente para compensar os ventos trazidos pela realidade atual dos preços das commodities. Para a história da ação tornar-se atraente, consideramos que a companhia precisa de uma reversão nos preços e mudanças internas mais rápidas e agressivas". O preço-alvo fixado pelos analistas em US$ 3 para o ADR leva em consideração a média de dois cenários: um com e outro sem aumento de capital no horizonte. 

Na visão dos analistas do UBS, mesmo com o impairment, há uma melhora na chance para a distribuição de dividendos em 2017. Para o banco suíço, os cortes nos investimentos e o fator câmbio devem ajudar a estatal a melhorar seus resultados.


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