Mercado segue repercutindo cenário político

Possibilidade de impeachment reflete na bolsa e no câmbio

Da Redação, com Agência Brasil

Bovespa

Os desdobramentos políticos continuam interferindo diretamente no desempenho da bolsa de valores brasileira e no câmbio nesta sexta-feira (18). Depois da maior alta desde 2009 registrada na quinta-feira (17), o Ibovespa seguiu um caminho de correção e de realização de lucros, além de repercutir as decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª e 2ª região que derrubou a decisão que suspendeu a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no cargo de ministro-chefe da Casa Civil. 

Após um começo de manhã em alta, o Ibovespa encerrou o dia com um leve recuo de 0,19%, aos 50.818 pontos. Puxaram a queda as ações da Tim, Santander Unit e Petrobras. Entre as ações com as maiores altas estavam as da Gerdau e da RaiaDrogasil. Aos papeis da siderúrgica acompanharam  valorização no preço da tonelada do minério de ferro, que subiu 2,5%, na China, para US$ 57,50. Na próxima segunda-feira tem vencimento de opções sobre ações, o que pode provocar movimentos abruptos em empresas cujos derivativos são mais negociados, como é o caso de Petrobras, Vale, Itaú, Bradesco e Ambev.

A pequena queda desta sexta-feira é lida pelos analistas apenas como um momento de precificação após as altas registradas na semana. Eles consideram que o impeachment está servindo de cenário-base para as movimentações na bolsa de valores e no câmbio. Somente em março, a Bolsa subiu 18,98%, e o dólar recuou 8,78%. A expectativa por um novo governo, - probabilidade reforçada pelas manifestações populares e a revelação das gravações telefônicas envolvendo o ex-presidente Lula - tem animado o mercado financeiro por representar uma mudança na política econômica nacional.

Dólar

O dólar comercial continuou a trajetória de baixa. Depois de recuar 0,95%, a moeda norte-americana fechou a manhã com queda de 1,96% a R$ 3,58. Em meio à queda do dólar, o Banco Central (BC) também anunciou, nesta quinta, que diminuirá as intervenções no câmbio em 25%. Nos últimos meses, o BC vinha rolando 100% das operações de swap cambial, como são chamadas as vendas de dólares no mercado futuro, fazendo leilões diários para trocar os contratos prestes a vencer por novos contratos que vencem mais tarde. Agora, o percentual caiu para 75%.

A decisão ajudará o BC a reduzir os prejuízos com as operações de swap cambial e melhorar as contas públicas. Isso porque os resultados das vendas de dólares no mercado futuro são incorporados aos juros da dívida pública.



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