Fitch, Moody´s e S&P avaliam cenário econômico brasileiro

Agências alertam que consolidação fiscal deveria estar em evidência

Da Redação

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Fitch e Moody´s avaliam cenário econômico brasileiro

As agências de classificação de risco Moody´s e Fitch se manifestaram sobre os recentes desdobramentos da Lava Jato e suas implicações na economia. Ambas afirmaram em nota que a nomeação do ex-presidente Lula para a chefia da Casa Civil é uma indicação de que a prioridade do governo está voltada para a política, em detrimento da busca pela consolidação fiscal. A Fitch retirou o grau de investimento do país em dezembro e a Moody´s fez o mesmo em fevereiro. Para ambas, há chances de novos rebaixamentos, pois na oportunidade elas atribuíram perspectiva negativa à nota. A contínua piora das contas públicas e a tendência de alta da dívida foram os principais argumentos usados para a decisão. 

Em nota, a Moody´s reiterou que os cenários da agência já incorporam a possibilidade de os eventos políticos complicarem as perspectivas de crédito do país. “Isso está em linha com a decisão da agência de rebaixar o rating do Brasil para “Ba2” com perspectiva negativa”, assinala o documento.  A Fitch assinalou por meio de um comunicado que as mudanças evidenciam que o cenário segue volátil. "A Moody´s monitorará os acontecimentos de perto", avisou Shelly Shetty, analista da agência. A Fitch revisou recentemente a projeção do PIB para o Brasil e agora aguarda retração de 3,5% neste ano e expansão de 0,7% em 2017. "O processo de impeachment e preocupações fiscais prejudicam a confiança", justificou Shelly.

A Standard & Poor´s se manifestou no final da tarde desta quinta. "Como destacamos mais recentemente no rebaixamento dos ratings soberanos do Brasil, em fevereiro deste ano, o país continua enfrentando desafios políticos e econômicos consideráveis e que são as principais razões pelas quais a S&P manteve a perspectiva negativa de seus ratings. Esses, por sua vez, refletem nossa visão acerca das instituições políticas estabelecidas no Brasil, as quais são um importante suporte para a estabilidade econômica do país — embora apresentem uma execução de políticas mais fraca do que antes", reitera a nota. "E, com base nos cinco principais fatores de nossa metodologia de ratings, os riscos de rebaixamento do perfil de crédito do Brasil — dada a fluidez de suas dinâmicas políticas — incluem possíveis  importantes reversões na condução de políticas, iniciativas políticas inconsistentes e incertezas durante ou após o processo de impeachment. Tais riscos também têm origem no aumento da turbulência econômica, maior do que esperávamos, seja por questões de governabilidade, seja pelo enfraquecimento do ambiente externo” , conclui o comunicado.


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