Mulheres na Ásia

Atualmente na China, a situação das mulheres é incomparável à do início do século passado

Por Milton Pomar

Mulheres chinesas

As mulheres sempre sofreram muito em todos os países na Ásia. A cultura dominante em cada um deles colocava a mulher em posição muito inferior ao homem. Apesar disso, houve os casos na Índia e na China, no século 20, de mulheres em posições principais de comando político – como os da primeira-ministra Indira Gandhi e da imperatriz Tzu Hsi. Quem acompanha o noticiário sobre a Índia, sabe como a cultura do país ainda continua propiciando violências terríveis contra as mulheres. Infelizmente, nos países vizinhos, como o Paquistão e o Afeganistão, as violências contra elas são semelhantes – ou até piores. 

Houve realmente avanços importantes na condição de vida das mulheres nas três maiores economias do Leste Asiático (Coreia do Sul, Japão e China) muito em função da própria dinâmica do desenvolvimento econômico. No Japão pós-guerra, totalmente devastado e com muito mais mulheres do que homens, elas tiveram oportunidade de ganhar espaços políticos e econômicos, alterando drasticamente a sua condição social anterior. Na China e na Coreia do Sul, também saídas de guerras, houve fenômeno semelhante. 

Atualmente na China, a situação das mulheres é incomparável à do início do século passado. Há ministras, governadora de estado, deputadas, prefeitas, CEOs de empresas estatais e privadas, reitoras etc. Elas são minoria, em termos populacionais, principalmente nas áreas rurais. Em compensação, nas áreas urbanas, há mais mulheres do que homens, e nas universidades, em muitos cursos elas são maioria absoluta. Nas grandes cidades chinesas, a maioria das mulheres jovens tem nível universitário, falam inglês e muitas já estudaram em outros países. 

A decisão recente do governo chinês de instituir sistema de Previdência no país, ampliando de maneira significativa o seu alcance, permitirá às dezenas de milhões de idosas melhora importante da qualidade de vida. Existem quase 100 milhões de pessoas com mais de 60 anos na China, das quais mais de 300 mil com 100 anos (!). Em 2050, a previsão é que essa parcela da população atinja 234 milhões de habitantes, o equivalente à população brasileira na época. 

Além da Previdência oficial, ocorreram duas importantes mudanças na China no ano passado, que impactarão a condição de vida das mulheres de maneira muito positiva: 

a) foi aprovada legislação sobre violência doméstica (mal comparando, o equivalente à lei brasileira conhecida como "Maria da Penha"), um avanço e tanto; 

b) foi aprovada também flexibilização nas normas da política demográfica (conhecida no Ocidente como "filho único"), o que diminuirá a pressão efetiva pelo filho homem e, consequentemente também, a pressão sobre as mulheres, mães e filhas. 



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