Bond. William Bond. E a arma secreta da Bondmann

Inovação da indústria química promete quebrar paradigmas na produção

Por Laura D'Angelo

Bond. William Bond. E a arma secreta da Bondmann

“É uma revolução industrial, não somente uma inovação”. O entusiasmo de William Bond (foto) é evidente. A Bondmann Química, empresa que fundou junto com Ernani Follmann e na qual é diretor comercial, criou um produto inédito no mercado brasileiro: um lubrificante para usinagem que não utiliza óleo e é biodegradável. À primeira leitura, é difícil ter a real noção do impacto da invenção da empresa gaúcha. Mas Bond explica e enumera, com orgulho, as vantagens da criação que, no ano passado, recebeu o Prêmio Nacional de Inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e recebeu a patente verde pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

As fábricas costumam usar lubrificantes na usinagem – processo que consiste na modelagem de um metal por outro. O lubrificante, que é composto por óleo mineral ou vegetal, minimiza os efeitos do desgaste provocado pelo calor do atrito entre os metais. O pulo do gato da Bondmann foi substituir o óleo por uma combinação – água e biopolímeros – que cumprisse a mesma função.

E qual a diferença para as indústrias? O Fluid B90, como foi batizado o produto, aumenta a produtividade, pois não se deteriora e não exige troca ou descarte constantes como os que possuem material orgânico na sua composição. As máquinas, portanto, trabalham mais tempo sem interrupção. A companhia também não precisa lidar com os custos envolvidos habitualmente no descarte e tratamento do óleo mineral, fortemente regulamentados. Além disso, os operários não entram em contato com o produto tradicional, considerado cancerígeno. Segundo a Bondmann, os clientes que utilizam o lubrificante sem óleo aumentam em, no mínimo, 20% a produtividade.

 

Inovação à venda

Com o forte argumento da produtividade sob o braço, Bond quer que a empresa ganhe mais  mercado no Brasil. E o cenário econômico nacional, por mais contraditório que pareça, é considerado o ideal para expandir as vendas. “As indústrias precisam, neste momento, ter melhor performance em sua produção. E nós trazemos algo que vai dar economia”, explica o diretor comercial. A Bondmann projeta um crescimento de 20% na demanda, considerando apenas os mercados nos quais atua no momento: os estados do sul, São Paulo e Minas Gerais. Para aumentar a lista de cerca de 3.800 clientes, ainda neste ano, a empresa quer colocar representantes de vendas na Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Goiás.

Entretanto, a força de vendas não deve ficar restrita ao território brasileiro. A fabricante química negocia com distribuidoras da Europa para iniciar a comercialização dos seus produtos, incluindo o Flui B90, nos países de lá. É o primeiro passo da Bondmann no mercado exterior e, para proteger a sua mais nova invenção, entrou com pedidos de patente nos Estados Unidos, Japão, Chile e nos países da União Europeia.

Prevendo o aumento de demanda, a Bondmann investiu, em 2014, na ampliação das fábricas de Canoas (RS) e Indaiatuba (SP) e da equipe de funcionários, que hoje chega a 150. As transformações aumentaram a capacidade de produção em 30%, o suficiente, segundo Bond, para suportar até dois anos de crescimento de demanda. Mas, ainda este ano, o executivo espera colocar em prática o projeto de construção de uma nova unidade fabril. Para isso, falta somente a escolha da cidade. A empresa está em tratativas com algumas prefeituras do Rio Grande do Sul e São Paulo.

 

Barreiras a driblar

À venda há um ano e meio, o lubrificante sem óleo ainda é novidade para um mercado acostumado aos óleos mineral e vegetal. A Bondmann concorre com petrolíferas de grande porte – as principais fornecedoras do óleo mineral - ao mesmo tempo em que trabalha para convencer os empresários a adotar a novidade e dissipar os temores naturais relativos à troca de um componente tradicional por outro. O principal deles diz respeito à oxidação das máquinas. A Bondmann garante que o Fluid B90 não causa oxidação, e que eventuais problemas dessa ordem decorrem da má utilização dos equipamentos - que, muitas vezes, já apresentam pontos de oxidação acobertados justamente pela sujeira dos óleos tradicionais.

Bond entende que há certa resistência na adoção do produto por ser bastante inovador. “É uma mudança de paradigma. Não se vai conseguir mudar esta disposição em apostar em algo novo de uma hora para outra”, reconhece. Por isso, ele espera que as distinções alcançadas no ano passado impulsionem as vendas do Fluid B90, e da família de produtos criados a partir dele, em 2015. Consequentemente, a previsão é que o faturamento cresça ao menos 20% este ano (o valor de 2014 não foi divulgado). “Se não der isso, ficarei frustrado”, confessa Bond. A expectativa é grande especialmente porque, neste quesito, a Bondmann não conseguiu avançar em 2014. O principal mercado comprador, os setores metalmecânico e automotivo, foram os que mais sentiram o ritmo lento da economia no ano passado, o que teve impacto negativo no volume de vendas da fabricante do ramo química.



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Cristiano Pires Gomes

Parabéns! Nosso planeta agradece! Nota 1000!

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