É hora de construir para o consumidor de 2018

Engevita deve crescer 12% em 2016 com dinheiro de investidor e multinacionais

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

marisa.valerio@amanha.com.br

Obra da construtora paranaense Engevita

O engenheiro curitibano Lincoln Fedato (foto) parafraseia o empresário Abílio Diniz para explicar por que sua pequena construtora, a Engevita, cresceu 14% em 2015, tem contratos em andamento que garantem um faturamento 12% maior neste ano e vagas abertas no quadro de 100 funcionários, todos fixos. “Ele disse recentemente que o Brasil está em liquidação. Para o nosso negócio, isso significa que é hora de aproveitar as ofertas e investir pensando na retomada da economia em 2018.” 

Uma oportunidade que está, por exemplo, na compra de terrenos, empreitada quase impossível no boom imobiliário, na primeira metade desta década. Embora os preços de fachada ainda se mantenham, a negociação mudou de patamar, assegura Fedato. É a vez de o comprador obter desconto e condição de pagamento em áreas bem localizadas de Curitiba. Os demais insumos, inclusive mão de obra, também estão mais baratos.

A Engevita é de 1999 e cresceu acompanhando a trajetória dos primeiros clientes – médicos, advogados, empresários e outros profissionais que construíram casas de alto padrão para viver, foram bem-sucedidos em suas carreiras, juntaram algum capital e se perguntaram onde investir para protegê-lo.

Fedato estava lá desde o início, com um estilo de trabalho que dispensa a terceirização de mão de obra e aposta em planejamento e qualidade para fidelizar o cliente. Ele orientou os clientes a investir em imóveis para locação comercial. Nos últimos três anos, metade de sua carteira de contratos foi ocupada nessa direção, construindo empreendimentos com área que varia entre 1,5 mil metros quadrados e 3,5 mil metros quadrados. E vinha crescendo em média a 9% ao ano. 

O desempenho foi acelerado ao ser favorecido pelo histórico, mas também pela captação de um outro tipo de cliente, que está capitalizado e partilha da mesma filosofia da construtora: olhar para a demanda futura do mercado, em vez de chorar pelo comprador que sumiu com a crise.  O portifólio ganhou obras de expansão industrial como a da fabricante curitibana de implantes dentários Neodent, adquirida pela multinacional suíça Straumann. A Engevita também assumiu a construção de filiais da empresa em outros estados.

Para Fedato, segmentos da indústria da construção civil tropeçaram em armadilhas como a de seguir a boiada, sem as devidas cautelas. É o caso do lançamento de apartamentos de dois e três quartos, que saturaram o mercado e geraram uma bolha.  “Fizeram coisas repetitivas, sem muito critério, ficaram estocados por excesso de lançamentos. Agora, vivem a ressaca da desaceleração econômica e entoam esse coro de desânimo, preocupação. É compreensível, mas temos de superar. O momento é de depuração. A qualidade fica evidente e uma obra bem executada é um investimento muito bom e muito barato do qual o investidor terá resultados durante décadas”, antevê. 

O retorno médio mensal do imóvel locado tem sido em média de 0,55%, valor que tende a ser maior em anos de economia aquecida. Contudo, o mais importante, defende Fedato, é somar a esse percentual (renda com locação) a valorização real do imóvel, que historicamente tem sido maior que a inflação – em alguns anos chegando ao dobro. “Como a gente constrói para investidores, mostramos a conta pra eles: hoje o mercado imobiliário rende tanto quanto o mercado de capitais, e com menor risco”, garante. O modelo de gestão da Engevita rendeu à empresa o primeiro lugar na categoria comércio e serviço médio na edição do prêmio Bem Feito no Paraná, uma realização do jornal Gazeta do Povo em parceria com a Escola de Comunicação e Negócios da Universidade Positivo. 

RODADA

Água Zaeli
A marca do gatinho amarelo, que identifica a Alimentos Zaeli, agora estampa um lançamento em água mineral distribuída no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Com sede em Umuarama, região noroeste do Paraná, a Zaeli é uma das maiores empresas do setor alimentício, com 25 linhas de produtos e 40 mil pontos de venda. A água mineral é captada na Fonte Santa Fé, de Quedas do Iguaçu (PR), e apresenta pH 9,75, um dos mais altos do mercado e indicador da qualidade do produto. 

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