Copom: redução do consumo tem sido mais intenso

BC abandona plano de levar a inflação para o centro da meta em 2016

Por Agência Brasil

Copom: redução de consumo e investimentos tem sido mais intenso do que previsto

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) considerou que o desempenho da atividade econômica, este ano, está em ritmo inferior ao previsto. Esse processo está sendo especialmente intensificado pelas incertezas oriundas de eventos não econômicos (como os casos de corrupção investigados na operação Lava Jato), acrescenta o comitê, na ata da última reunião do colegiado, divulgada nesta quinta-feira (28). No último dia 20, o Copom anunciou a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 14,25% ao ano, por seis votos a dois. 

Em particular, o investimento tem sofrido retração, "influenciado, principalmente, pela ocorrência desses eventos e o consumo privado também se contrai, em linha com os dados de crédito, emprego e renda”, justificou o Copom. Entretanto, diz o comitê, depois de um período necessário de ajustes, “que tem se mostrado mais intenso e mais longo que o antecipado, à medida que a confiança de firmas e famílias se fortaleça, o ritmo de atividade tende a se intensificar”.

No médio prazo, o comitê avalia que o consumo tende a crescer em ritmo moderado e os investimentos tendem a ganhar impulso. “Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária. O setor de serviços, por sua vez, tende a crescer a taxas menores do que as registradas em anos recentes”, acrescenta a ata. Em relação à demanda externa, a depreciação do real (alta do dólar) vai ajudar no crescimento da economia brasileira.

Mas para que essas mudanças se concretizem é fundamental que haja uma trajetória de geração de superávit primários, economia para o pagamento de juros da dívida pública. O Copom diz que a melhora nas condições fiscais do governo vai fortalecer a percepção de sustentabilidade do balanço do setor público. O comitê afirma ainda que é preciso haver redução de incertezas que cercam o ambiente doméstico e internacional.

Meta
O Copom também abandonou o objetivo de levar a inflação para o mais próximo possível do centro da meta (4,5%) em 2016. Na ata, o comitê diz que “adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017".

Na ata de novembro, o Copom afirmava que tinha por objetivo trazer inflação o mais próximo possível de 4,5% ainda em 2016. A meta de inflação tem como centro 4,5% e limite superior 6,5%, este ano e 6%, em 2017. Com isso, o BC espera para este ano que a inflação fique dentro do limite superior e não mais que fique o mais próximo possível do centro da meta. Para instituições financeiras consultadas semanalmente pelo BC, a inflação este ano deve superar o teto da meta, ficando em 7,23%. Em 2017, a projeção é 5,65%.

Preços administrados
O Copom projeta que os preços administrados por contrato e monitorados devem ter variação de 6,3% em 2016, ante 5,9% considerados na reunião do Copom de novembro. Entre outros fatores, essa projeção considera o reajuste médio nas tarifas de ônibus urbano de 8,9% e a variação de 3,7% nos preços da energia elétrica. Para 2017, a projeção para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, é 5%.


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