A deficiência que a crise esconde

A profissão de caminhoneiro não desperta o interesse de jovens – e isso pode causar um novo apagão rodoviário

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

A profissão de caminhoneiro não desperta o interesse de jovens – e isso pode causar um novo apagão rodoviário

O momento morno – para dizer o mínimo – da economia tem mascarado uma realidade que pode se tornar um problema grave quando o Brasil retomar sua trajetória de crescimento: a falta de mão de obra no setor de transportes rodoviários. Em 2014, período em que a economia ficou no zero a zero, um levantamento da NTC&Logística revelou que o país sofre de um apagão logístico. De acordo com a pesquisa, o déficit de motoristas em relação à frota de caminhões é de 12,1% – ou seja, faltam aproximadamente 100 mil motoristas para suprir a carência de profissionais. Modal mais importante do Brasil, o transporte rodoviário é responsável por 63% de todas as cargas entregues. 

Para tentar contornar o problema, o Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar) incentivou motoristas com carteira AB a se habilitarem para dirigir caminhões e carretas. Ainda que todo o processo tenha sido gratuito, a ação teve pouco êxito. Por isso, há quem aposte que a saída para melhorar o cenário será buscar profissionais fora do Brasil, estratégia usada pelo Setcepar no ano passado. “Buscamos 100 motoristas na Colômbia”, recorda Luiz Podzwato, superintendente do sindicato. “Ainda que um profissional ganhe entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, a profissão não tem despertado o interesse dos jovens”, lamenta o dirigente. 

Para Podzwato, os motoristas poderiam aproveitar o tempo de baixa na economia para buscar formação. Ainda assim, ele admite que essa é uma equação de difícil solução. Segundo Podzwato, quem é autônomo ou tem posto fixo não encontra tempo suficiente para se reciclar.



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