A bússola da Idealiza Urbanismo não aponta para a crise

Companhia tem um portfólio de empreendimentos para lançar no Sul e se prepara para conquistar o interior de São Paulo

Por Laura D´Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Ricardo Costa e Fabiano de Marco, sócios da Idealiza Urbanismo

Os números do setor imobiliário neste ano indicam à maioria dos agentes do mercado que o melhor é ter cautela. Mas Ricardo Costa (na foto, à esquerda) e Fabiano de Marco (à direita), sócios da Idealiza Urbanismo, não querem fazer parte dessa lista. Até o momento, a empresa gaúcha não tirou o pé do acelerador e segue o cronograma de lançamentos estabelecido, além de mirar novas praças para construir os próximos empreendimentos. 

O mais recente lançamento da Idealiza foi o Una, bairro planejado de Pelotas (RS), que deve demandar, nos próximos 15 anos, um investimento de R$ 500 milhões. Mesclando áreas residenciais, comerciais e de convívio comunitário, os bairros planejados são uma das principais tendências do mercado imobiliário, segundo Costa. Eles se caracterizam por ser núcleos urbanos planejados e, diferentemente dos condomínios, serem de livre acesso à população. Os moradores e proprietários contribuem com uma taxa para a limpeza, segurança e manutenção do bairro através de uma associação. “Existe uma segurança que normalmente não se encontra no espaço público por conta da carência de recursos”, explica Costa. Para o próximo ano, está programado o início da construção de duas torres residenciais e, ao menos, uma comercial, cada uma com um investimento de R$ 20 milhões.

A venda das unidades do Una juntamente com o lançamento de um condomínio no Rio Grande do Sul (a cidade ainda não é divulgada) garantirão um ano farto em faturamento para a Idealiza no próximo ano de cerca R$ 135 milhões. É verdade que o valor poderia ser mais robusto caso não houvesse as incertezas das aprovações de licenciamentos. Esse foi o motivo também para o atraso de alguns projetos que seriam postos em prática este ano, no qual a empresa fechará com receita de R$ 55 milhões. É a burocracia a principal inimiga do planejamento estratégico da Idealiza – e não a crise, como se poderia imaginar. “A crise econômica não terá impacto significativo no nosso volume de lançamentos. As praças que estamos têm poder de absorver rapidamente a oferta. Nossos maiores entraves hoje são de licenciamento, não financeiros”, confidencia Costa. Além do Rio Grande do Sul, a Idealiza possui terrenos em Boa Vista (RR), Macapá (AM) e Gaspar (SC), esse último com lançamento previsto para 2018. A ideia inicial é de que, todos eles, sejam condomínios de lotes.  

Apesar de ter engatilhado projetos em quatro estados, a Idealiza deve concentrar forças nos próximos anos em um novo mercado, o interior de São Paulo. Costa estima que, dentro de cinco anos, a nova praça responderá por metade dos lançamentos da companhia. “É um mercado desafiador, enorme. A renda per capita média e o poder aquisitivo é bem maior do que no Sul”, entusiasma-se Costa. O trabalho agora é de garimpo por terrenos em cidades de até 200 mil habitantes que ainda não tenham passado pelo boom imobiliário e que apresentem margem para crescimento. Afinal, qualquer projeto desse porte, explica Costa, exige um desenvolvimento de, no mínimo, cinco anos. Mas o Rio Grande do Sul não sairá do foco da Idealiza, promete o sócio.  “O Rio Grande do Sul deve ter sempre uma presença importante até porque nossa matriz é em Pelotas. Fica fácil de a gente identificar oportunidades, pois conhecemos o mercado em profundidade”, argumenta. 



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