“O ano de 2015 poderia ter sido pior”, avalia Abicalçados

Entidade projeta queda no varejo doméstico e aumento das exportações

Da Redação

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Unidade fabril da Azaleia

O cenário desenhado no início de 2015, com uma crise política e outra econômica que sofria com a queda na demanda interna somadas aos solavancos proporcionados por uma tensão macroeconômica puxada pela China, era terrível. “O ano, certamente, não foi bom, mas poderia ter sido muito pior”, avalia Heitor Klein, presidente-executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados). Para Klein, o quadro de queda no mercado interno já era esperado, visto que a demanda vinha encolhendo desde o segundo semestre do ano passado. “Com o desemprego em alta e a queda brusca na renda de um consumidor que já vinha endividado, não havia outro horizonte possível”, explica Klein, ressaltando ainda que a inflação inibiu ainda mais o consumo.

As exportações de calçados também caíram ao longo de 2015, porém tiveram uma recuperação nos últimos meses, quando chegaram os embarques negociados com o dólar mais elevado. Para Klein, a desvalorização da moeda norte-americana já está sendo vista, o que deve se acentuar ao longo do próximo ano. “Embora ainda não estejamos percebendo com maior ênfase o aumento dos embarques, notamos nas fábricas que as atividades voltadas para a área internacional estão muito fortes”, revela. Por isso, o próximo ano deve ser de aumento nas exportações. “O dólar estável e valorizado, somado à recuperação de alguns mercados importantes para o produto brasileiro, devem ser fatores preponderantes para melhores resultados mês após mês em 2016”, antevê Klein. A alta da moeda norte-americana também deve seguir influenciando na queda das importações de calçados, o que acaba sendo positivo para as fabricantes nacionais. 

Para o ano seguinte, Klein destaca que a tendência de queda no varejo doméstico, especialmente no primeiro semestre, deve continuar. “Temos uma situação política contaminando a economia. Enquanto o problema não for resolvido, vamos continuar amargando mais perdas no varejo”, prevê. O clima também não tem ajudado o segmento no Brasil. “Não tivemos os dois últimos invernos e os lojistas precisam desovar estoques. Arrisco a projetar que, se tivermos alguma melhora no mercado doméstico, só será a partir de setembro de 2016 – isso se a situação política for resolvida e o consumidor brasileiro voltar a ter confiança para consumir”, resume.  


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