Industrial paranaense está extremamente pessimista, revela Fiep

A perda do grau de investimento e a instabilidade política são fatores que contribuem para a baixa expectativa

Da Redação

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Reinaldo Tockus, superintendente da Fiep

A expectativa dos industriais de empresas paranaenses para 2016 é extremamente baixa. Mais da metade deles (54%) está pessimista para o próximo ano. O indicador favorável (32,8%) é o menor desde 1996 e, pela primeira vez, está abaixo dos 50%. Os dados são da 20ª Sondagem Industrial, realizada anualmente pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) em parceria com o Sebrae.  Nesta edição, participaram 371 companhias de todo o Estado e de todos os portes.

São muitos os fatores que contribuem para tamanho pessimismo. “O aumento da dívida interna ultrapassou os R$ 2,5 trilhões em outubro, por exemplo. Além do mais,  o crescente endividamento externo, que superou os US$ 350 bilhões, foi contraído em grande medida para fomento ao consumo interno e não para realização de investimentos”, enumera Reinaldo Tockus (foto), superintendente da Fiep. Além disso, segundo ele, a taxa de investimentos atingiu apenas 18,1% do PIB e a de poupança 15% no terceiro trimestre deste ano. “Junte-se a isso a queda do PIB de 3,2% nos primeiros três trimestres, o rebaixamento e perda do grau de investimento do Brasil, a inflação acima de 10% e a instabilidade política”, resume Tockus.

O empresariado paranaense aponta vários problemas para enfrentar a concorrência no mercado interno. A carga tributária elevada continua sendo a campeã, com 78,1%, seguida dos encargos sociais elevados (66,7%). Entre as táticas das companhias em relação à concorrência nacional e internacional, 65,4% optarão por enxugar custos e 49,6% apostam na qualificação de pessoal. Os empresários investirão em melhoria de processos (31,5%), em desenvolvimento de produtos (31,5%) e no aumento da produtividade (27,1%).

A estratégia de maior importância para 2016 foi, pela sexta vez consecutiva, a satisfação dos clientes, apontada por 51,3% dos entrevistados, seguida pelo desenvolvimento de novos negócios (51,3%). Entre as formas para aumento de produtividade estão a busca da qualidade (42%) seguida pela redução de custos (39,9%) As fontes dos recursos financeiros para realizar investimentos continuam sendo majoritariamente recursos próprios (61%).


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