Luiz Argenta, vinhos que atraem (não só) pelo design

Vinícola de Flores da Cunha tem se destacado por atrair novos consumidores pela estética das garrafas

Por Marcos Graciani

graciani@amanha.com.br

Vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha

Era dezembro de 2010. A família de Deunir Argenta recebeu um cartão de Natal da fornecedora de garrafas Bruni Glass, da Itália. Saltou aos olhos de todos o belo design da garrafa estampada no mimo. A partir desse fato, a vinícola buscou no continente europeu modelos de garrafas que apresentassem estética elegante para dar forma à Linha Jovem de seus vinhos. "Muitas pessoas são conquistadas pelo visual das garrafas para, depois, também gostarem da bebida em si. É como acontece quando a gente se apaixona", compara Daiane Argenta, gerente de marketing da empresa. Daiane também revela que essa linha tem maior apelo entre as mulheres e é a que se comercializa mais rapidamente. A Linha Jovem conta com nove produtos no portfólio – sendo três espumantes. As garrafas de Sauvignon Blanc e Gewurztraminer formam um único desenho. Há relatos de muitos consumidores que utilizam as garrafas também para decoração (veja algumas delas aqui).

Nada mais natural para uma empresa que já nasceu voltada aos jovens. “Desde o começo, construímos a companhia pensando nos novos consumidores de vinhos, ou seja, os jovens”, recorda Deunir Argenta, um dos sócios. A Luiz Argenta é, sem dúvida, uma das vinícolas mais belas do mundo. Entre as modernas, é talvez seja a que chame maior atenção.  Quem atesta o fato é o jornalista e sommelier italiano Roberto Rabachino. “Quer saber? A Luiz Argenta tem a melhor sala de degustação do mundo. Bate as salas de degustações do Château d’Yquem, Château Petrus, Château Lafite Rothschild, Château Margaux, a vinícola de Angelo Gaja. Ela é a mais bela do mundo”, declarou, enfático, certa vez. 

A Luiz Argenta (foto), situada no centro de Flores da Cunha – cidade gaúcha que detém o título de maior produtora de vinhos do Brasil – encanta pela sua beleza plástica. Ancorada em um morro típico da região do Alto dos Montes, o empreendimento foi esculpido pelas mãos habilidosas da arquiteta Vanja Hertcert. O resultado impressiona. Não só pela beleza, mas pela funcionalidade técnica. A rocha moldou a vinícola, espelhada no terreno, aproveitando a natureza irreproduzível em outro lugar.  Porém, muito além da beleza, há um projeto de vinhos bem planejado na vinícola. A filosofia estética materializada pela arquitetura da vinícola provocou um conceito inovador para os vinhos e espumantes elaborados pela Luiz Argenta. 

Por esses motivos, a Luiz Argenta preza pela produção limitada de vinhos. Tanto é que seu limite atual tem sido de aproximadamente 130 mil garrafas – um número modesto frente às gigantes do setor que alcançam capacidade para comercializar um valor até dez vezes maior. "Preferimos demorar um pouco mais para ganhar volume de produção em nome da qualidade", assume Deunir. Hoje, cerca de 70% dos produtos são vendidos diretamente ao consumidor final via e-commerce. Segundo ele, isso tem uma razão. "Começamos a classificar nossos clientes que nos procuram todos os anos em busca dos vinhos recém-lançados", orgulha-se. Tanto é verdade que alguns vinhos brancos, por exemplo, já contam com venda garantida antes mesmo da safra terminar. Os vinhos podem custar entre R$ 57 a R$ 320 enquanto os espumantes são vendidos entre R$ 42 a R$ 86 a garrafa. A novidade deste ano será a inauguração de um museu dedicado ao vinho ao lado da vinícola. 

Órfãos 
Deunir se orgulha de ter praticamente colocado de pé o Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin). Fruto de viagens que fez para Argentina e Chile em 1994, o empresário voltou entusiasmado com a forma de organização dos produtores de vinho dos países vizinhos. Deunir, então, deu vida ao primeiro seminário da uva e do vinho no país, em 1995. Como tinha conseguido reunir todos os envolvidos com o setor, conclamou que fosse criada uma entidade que defendesse as bandeiras do segmento. "No encerramento, chamei as pessoas em cima do palco para agradecer e a aproveitei para manifestar a criação de um protocolo de intenções para a fundação do Ibravin", recorda. "Me sinto realizado pela contribuição que dei", diz. 

No entanto, passadas duas décadas do nascimento do instituto, Deunir entende que as entidades perderam força e suas lideranças estão isoladas. "Quem está na frente está muito desamparado", diagnostica. "Uma das grandes falhas do setor é não ter a consciência de que se faz necessário buscar alguém que nos represente. Estamos órfãos", desabafa. "Nos resta buscar apoio de políticos que não são da região", conta ao relatar que a serra gaúcha não conseguiu sequer eleger deputados estaduais ou federais na última eleição. 


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