O caminho da recuperação passa pela indústria

Presidente da Fiesc, Glauco Côrte, defende estímulo ao setor

Por Laura D'Angelo

laura.cauduro@amanha.com.br

Glauco Côrte Fiesc

A indústria brasileira foi a que mais sentiu o peso da crise de 2015. O setor contabiliza queda de produção, aumento da capacidade ociosa e de demissões, além de menos investimentos. Mas é por meio da indústria que o Brasil pode se recuperar economicamente, na visão de Glauco José Côrte (foto), presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc). A saída da crise, segundo ele, está no governo federal recolocar a indústria no centro da estratégia de desenvolvimento. 

Côrte recorre ao exemplo dos Estados Unidos que estimulou o retorno de indústrias ao país, em parte pela queda dos custos de produção devido aos investimentos em novas fontes de energia. “Não é que precisemos de favores do governo. Temos de ter um ambiente institucional que favoreça os investimentos e a atividade produtiva”, esclarece Côrte, que acredita que o sistema burocrático que rege o setor inibe investimentos e a competitividade. O presidente defende que, nesse momento de crise, a agenda governamental deveria focar em condições para aumentar a produtividade, incentivar a atração de investimentos, além de estratégias para acesso a mercados. 

Claro que, antes disso, os imbróglios políticos precisam ser resolvidos. “A evolução da economia está muito condicionada à evolução da política. Precisamos ter segurança na área política”, constatou Côrte durante coletiva de imprensa na qual apresentou o Balanço de 2015, em Florianópolis. O presidente prevê mais um ano difícil para a economia brasileira, registrando pelo segundo vez consecutiva um PIB negativo. Mas acredita que, caso as reformas necessárias comecem a ser encaminhadas no próximo ano, 2017 poderá ser diferente. No entanto, o alto índice de desemprego apresentado pelo país este ano preocupa o presidente da Fiesc. De acordo com ele, governo e setor privado precisam fazer um esforço em conjunto para que a situação não se agrave, pois a perda de mão de obra qualificada dificultaria uma rápida retomada de crescimento da economia. 


Balanço catarinense

A indústria catarinense registrou quedas na produção (-8%), vendas (-11,4%) e exportações (-15,8%) entre janeiro e outubro na comparação com o ano passado. Na produção, os maiores recuos foram apresentados pelos segmentos de metalurgia (-24,4%) e de máquinas e materiais elétricos (-22,8%). Já nas vendas, as indústrias de vestuário (-26,2%) e de alimentos (-21,8%) foram as mais afetadas. Na geração de emprego, o setor, que vinha liderando em números absolutos no Brasil, não resistiu. No acumulado do ano até outubro, foram fechadas 12 mil vagas somente na indústria da transformação. Mesmo com diversos números negativos para contabilizar ao final deste ano, Côrte incentiva a indústria de Santa Catarina a não desistir: “O setor produtivo tem de se manter ativo e trabalhando. Não podemos optar pelo encolhimento porque isso agravaria a crise. Nós temos de olhar para frente. A crise é grande, não podemos ignorar, mas temos condições de sair dela.”



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