Recuperação virá apenas em 2018, prevê José Galló

Para o CEO da Lojas Renner, gestão das empresas será testada na crise

Por Dirceu Chirivino

dirceu@amanha.com.br

José Galló, presidente da Lojas Renner

O título da palestra de José Galló (foto), presidente da Lojas Renner, no Tá na Mesa, revela seu sentimento quanto ao futuro da economia nacional. O CEO da primeira corporação brasileira escolheu “Feliz 2018” para resumir a mensagem que passou no tradicional evento promovido pela Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul ( Federasul), em Porto Alegre, nesta quarta-feira (9). “Temos de ser muito realistas. Sabemos que teremos um PIB negativo beirando os 4% neste ano e algo como uma retração de 3,5% em 2016. Por mais que queiramos ser otimistas, o cenário se estabilizará apenas no segundo semestre de 2017 para iniciar a recuperação no ano seguinte”, antevê. 

Na visão de Galló, a atual crise ao menos servirá para que a competitividade ganhe espaço na gestão das companhias. “Entre 2003 e 2011, mesmo empresas incompetentes sobreviviam por causa do bom ritmo dos negócios. Agora, os modelos das empresas serão testados e somente sobreviverão aquelas que tiverem diferenciais competitivos”, alega. Para ele, os empresários diagnosticam erroneamente a razão da falência de seus empreendimentos. Nas contas de Galló, para cerca de 80% dos gestores a causa do fracasso é de ordem financeira quando, na verdade, se trata de um efeito da falta de uma estratégia mercadológica. 

Antevendo alguns passos da Renner no próximo ano, Galló afirmou que a companhia – que também reúne as bandeiras Camicado e  Youcom – priorizará a liquidez. O executivo entende que os próximos dois anos serão de consolidação para as cinco maiores players de vestuário no país. Hoje, eles abocanham 14% do mercado. Esse índice poderá chegar a 25%, número ainda bem inferior ao patamar de concentração de redes de supermercados ou eletrodomésticos (50%), por exemplo. “O varejo de roupas no Brasil é muito fragmentado e existem muitas pequenas lojas informais que não pagam impostos, algo que deve reduzir bastante com a avidez do governo pela arrecadação de receitas”, diagnostica. 

Galló também teceu duras críticas ao sistema de governo brasileiro que, segundo ele, é responsável por 70% da crise econômica. “Está na hora dos políticos que moram na colina de Brasília dirigirem seus olhares aqui para a planície. Ninguém está pensando no Brasil. Basta gerar quatro ou cinco medidas para destravar a economia e dar esperança para as empresas”, desabafa. O empresário também cobrou uma atitude mais pró-ativa dos seus pares. “Estamos muito calados. E quando não há mobilização, é pela falta de consciência da realidade”, reconhece. Porém, Galló não se eximiu de apontar soluções – entre elas, a opção pelo investimento em infraestrutura já que o modelo baseado no consumo se esgotou. 



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