Vendas crescerão só um dígito, prevê presidente do Grupo Boticário

Segundo Artur Grymbaum, o consumidor, acuado pela crise, terá comportamento imprevisível neste Natal

Por Marisa Valério, de Curitiba (PR)

marisa.valerio@amanha.com.br

Artur Grymbaum, presidente do Grupo Boticário

Mais rápido e mais intenso. Assim Artur Grymbaum (foto), presidente do Grupo Boticário, definiu nesta quinta-feira (3) o agravamento da crise econômica em relação às expectativas da companhia. “O ano é tão atípico que não sei qual vai ser o resultado do Natal”, declarou. A empresa também não apresenta números sobre o desempenho das vendas de perfumes e cosméticos neste ano, mas antecipa que o crescimento sobre 2014 será de um dígito apenas. No ano passado, as vendas do grupo cresceram 16% e o faturamento totalizou R$ 9,3 bilhões.

 “É uma redução, é outro cenário. A gente sabia que a economia ia se deteriorar, mas a velocidade foi muito grande. Esperávamos uma situação desse nível no final de 2016”, afirmou. O tombo mostra que o “mercado da beleza não é à prova de balas”, mas ainda assim aponta “uma grande vitória”, segundo Grimbaum, diante da performance de outros fabricantes e redes de varejo do setor. 

Em agosto, a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec) informou que o segmento teve retração de 2,5% de janeiro a abril, em relação ao mesmo período de 2014. Em 23 anos, esse deve ser o primeiro fechamento negativo do conjunto de empresas associadas. As vendas de Natal representam 30% do resultado do varejo. É por isso que a imprevisibilidade do comportamento do consumidor nessa data torna difícil saber como o ano terminará. “A Black Week teve bom movimento, mas ainda não se sabe quanto a promoção tirou de negócios futuros”, observou.

O que dá para notar no balcão das lojas de O Boticário, Eudora, “quem disse berenice?” e The Beauty Box, as quatro unidades de negócio do grupo, é que o consumidor põe menos produtos na cesta a cada compra. “As pessoas estão com bastante receio sobre a questão do emprego, estão paralisadas, desconfiadas, pois não sabem o que vai acontecer com o país. E ainda antes do fator confiança, vem o humor do consumidor: consumidor de mau humor não sai de casa.”

Grymbaum não crava números para 2016, mas antevê um período ainda mais duro e dificuldades para os próximos cinco anos. “As projeções dos economistas são de que o país só vai recuperar o PIB de 2012 em 2020. Ou seja, estamos retrocedendo. Subimos de escada e caímos de elevador, o que provoca uma sensação de frustração muito grande.”

Longo prazo
A crise política que causa o engessamento das medidas que o governo deveria adotar para uma retomada próxima torna muito difícil para as empresas trabalhar no curto prazo. O grupo paranaense, que é líder no mercado brasileiro de perfumaria, segundo o Instituto Euromonitor, investiu no planejamento com visão de longo prazo e garantiu musculatura para enfrentar o cenário adverso. “Estamos na fase de consolidar o que criamos. O grupo tem cinco anos, os novos negócios têm três anos. Não paralisamos os investimentos em pesquisa, em novos processos, em desenvolvimento. Contratamos 4 mil pessoas nos últimos quatro anos; abrimos novas fábricas no Paraná e na Bahia; lançamos 1,3 mil produtos a cada ano e nesse período investimos mais de R$ 1 bilhão”, enumera o presidente do grupo paranaense. 

No começo do ano, a empresa também redesenhou o organograma de comando. Sete diretorias deram lugar a quatro vice-presidências que respondem por todas as unidades de negócios com mais agilidade. Também neste ano, foram abertas 75 lojas franqueadas das quatro marcas, contra uma previsão de 50 unidades novas, chegando a 3.962 pontos de venda em todo país.

O investimento em inovação foi de 2,5% do faturamento anual e o destaque do período foi tornar-se a primeira empresa brasileira a desenvolver a pele humana em laboratório. Especialistas do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da companhia, inaugurado em 2013 na unidade de São José dos Pinhais (PR), já utilizam o material para o teste de matérias-primas e produtos acabados (cremes, loções e maquiagens), tanto para a escolha de ingredientes quanto na segurança. Para elaborar a pele 3D, são utilizadas células isoladas a partir de tecido descartado de cirurgias plásticas, nos casos em que há o consentimento do doador para este fim e aprovação de Comitê de Ética e Pesquisa da instituição. Em laboratório, a pele vai sendo formada, célula a célula, camada por camada.


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