Como o mercado reagirá após pedido de impeachment?

Uma mudança das perspectivas econômicas é aguardada por analistas

Por Infomoney*

Bolsa brasileira reage com otimismo a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma

Eduardo Cunha confirmou a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e a reação do mercado à notícia foi imediata. Ontem mesmo o desempenho dos ativos brasileiros negociados em Nova Iorque já reagia positivamente: o principal ETF subiu cerca de 2,5% enquanto os ADRs da Petrobras dispararam mais de 4%. No final desta quinta-feira (3), o benchmark da bolsa brasileira subiu 3,29%, fechando a 46.393 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 7,798 bilhões. Já o dólar comercial registrou queda de 2,26% a R$ 3,7488 na venda, enquanto o dólar futuro para janeiro recuou 2,35% a R$ 3,779

O analista Flávio Conde, da consultoria WhatsCall, afirma que enquanto o índice avançar, a moeda norte-americana deve ter forte queda junto com os contratos de juros. "Após seguir entre os 45 mil pontos e 49 mil e uns quebrados nos últimos meses, a Bolsa deve alcançar os 47 mil pontos, enquanto o dólar deve buscar um novo patamar em torno de R$ 3,70", antevê o analista.

É importante lembrar que a votação de um impeachment não é técnica, mas de caráter estritamente político, o que torna o futuro ainda mais nebuloso. Conde ainda ressalta que a presidente já "entra perdendo" na disputa já que recentemente, em uma votação técnica, teve as contas reprovadas pelo Tribunal de Contas da União. Ele explica que a notícia de uma potencial saída da presidente abre espaço para uma recuperação dos ativos e um aumento do otimismo dos investidores. "Metade da forte queda do PIB que temos visto pode ser atribuída ao pessimismo não só do mercado, mas dos executivos e empresários e essa notícia faz com que eles comecem a rever projeções", explica Conde.

Diante disso, o que se pode ocorrer no médio prazo é uma mudança das perspectivas não só econômicas, mas também em relação ao desemprego e outros temas que estão afetando a vida dos brasileiros. Por mais que ainda não se tenha certeza sobre a queda de Dilma, é provável que as empresas decidam esperar mais um pouco antes de fechar fábricas ou despedir funcionários – o que pode ter impacto até no consumo da população. Porém, tudo isso deve ter um efeito apenas no médio e longo prazos, enquanto os investidores também passam a fazer outras questões sobre o assunto.

O outro lado
Há quem não veja com tanto otimismo a abertura do processo de impeachment. Para o economista Bruno Lavieri, da 4E Consultoria, a reação deve ser negativa no mercado. "O deferimento eleva a incerteza, pois não se sabe quanto tempo vai durar o processo, o que levará a um cenário de uma falta de governança", opina Lavieri.

Por outro lado, se o processo resultar na saída de Dilma, o mercado deverá reagir de forma positiva. "Isto porque o Michel Temer sinaliza que não tem a intenção de disputar uma reeleição em 2018. Essa sinalização facilita trazer a oposição para o lado dele e, assim, ele teria uma bancada maior para aprovar o ajuste fiscal", aposta. Sem a intenção de se reeleger, Temer também teria mais disposição política para implementar medidas impopulares, como o aumento de tributos e o corte de despesas, acrescenta Lavieri. Além disso, afirmou o economista, o PMDB, partido de Temer e de Cunha, tem uma postura um pouco mais ortodoxa no aspecto econômico e mais alinhada com o ajuste fiscal. O pedido para processo de impeachment deferido por Cunha foi elaborado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaina Paschoal.

*Com Agência Estado.


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